Projeções de inflação avançam após escalada do petróleo, e El Niño desponta como novo risco no segundo semestre

Mercado Financeiro14 horas atrás8 Visualizações

Rio de Janeiro – Analistas passaram a projetar inflação mais alta para 2026 em razão da disparada do petróleo provocada pela guerra travada por Estados Unidos e Israel contra o Irã desde 28 de fevereiro. A possibilidade de ocorrência do fenômeno climático El Niño na segunda metade do ano reforça a preocupação com os preços.

O Boletim Focus do Banco Central indica que a mediana das expectativas para o IPCA subiu pela quarta semana consecutiva, de 4,31% para 4,36%, aproximação do teto da meta de 4,5%. No início do ano, antes do conflito, as estimativas chegaram a 3,91%.

Pressão vinda do petróleo

Com o início dos combates, a cotação do Brent saltou de US$ 72 para mais de US$ 110 o barril. Na noite de terça-feira (7), recuou para perto de US$ 95 após o presidente dos EUA, Donald Trump, aceitar proposta do Paquistão para um cessar-fogo de duas semanas, condicionado à reabertura do estreito de Hormuz pelo Irã.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), desde o começo das hostilidades os preços médios da gasolina comum subiram cerca de 8% e os do diesel S-10, 24%, puxados principalmente por importadores privados.

Para mitigar a alta, o governo Lula anunciou na segunda-feira (6) subvenção adicional ao óleo diesel e ao gás de cozinha e zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre biodiesel e querosene de aviação.

Revisões de casas econômicas

A MB Associados projeta IPCA de 4,2% para 2026. A Austin Rating elevou sua previsão de 3,8% para 4,38%, enquanto a Logos Economia passou de 4% para 4,8%, acima do teto da meta. O banco Daycoval ajustou a estimativa de 3,8% para 4,2%, citando o choque do petróleo e a maior probabilidade de El Niño.

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Imagem: redir.folha.com.br

Fenômeno climático sob vigilância

Nota técnica do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) aponta mais de 80% de chance de El Niño na segunda metade de 2026, possivelmente entre agosto e outubro. Modelos indicam aquecimento de aproximadamente 1,5 °C no Pacífico Equatorial, patamar classificado como moderado a forte, o que pode reduzir a oferta de alimentos e, consequentemente, pressionar preços.

Impacto sobre a política monetária

Com a piora do quadro inflacionário, parte do mercado já considera menor intensidade no ciclo de cortes da Selic, hoje em 14,75%. O Focus aponta taxa de 12,5% no fim do ano. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu na segunda-feira postura de “cautela” e “serenidade” na condução dos juros, argumentando que é preciso tempo para avaliar os efeitos da guerra sobre a economia global.

Analistas alertam que, além de combustíveis mais caros, o encarecimento do diesel pode elevar custos logísticos e de insumos agrícolas, contaminando outros itens do IPCA ao longo do ano.

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