CIO da Hashdex atribui queda do Bitcoin em 2025 a trio de fatores previsíveis

Estratégias de investimento10 horas atrás9 Visualizações

O recuo do Bitcoin observado nos primeiros meses de 2025 não foi acidental nem indicativo de ruptura estrutural, avalia Samir Kerbage, sócio-fundador e diretor de investimentos (CIO) da Hashdex. Em entrevista ao episódio 182 do programa Outliers InfoMoney, o executivo apontou três vetores que, segundo ele, se combinaram para provocar a correção: o ambiente macroeconômico adverso, a indefinição regulatória nos Estados Unidos e o ciclo de quatro anos já tradicional no mercado de criptoativos.

Pressão macroeconômica

Para Kerbage, o Bitcoin, classificado como ativo de risco com “duration” longa, reage de forma imediata a qualquer sinal sobre política monetária. Alterações ou expectativas de aperto e afrouxamento, explicou, amplificam a volatilidade natural do criptoativo, contribuindo para movimentos bruscos de preço.

Incerteza regulatória

O segundo componente da queda é político. A eleição de Donald Trump em novembro de 2024 gerou expectativa positiva quanto ao avanço do Clarity Act, projeto que pretende estabelecer regras permanentes para o setor. Contudo, a proposta continua sem aprovação no Congresso e, com as eleições de meio de mandato se aproximando, aumentam as dúvidas sobre o cronograma. “O grande desafio é ter clareza regulatória que não dependa do governo da vez”, disse o executivo.

Ciclo de quatro anos

O fator considerado mais relevante por Kerbage é o ciclo histórico de aproximadamente quatro anos que marca o mercado de criptomoedas. Em janeiro de 2023, ele publicou análise prevendo início de bear market em outubro de 2024 e reversão em outubro de 2025. A previsão, afirmou, se cumpriu quase à risca. Com a aproximação do período apontado, investidores de varejo passaram a realizar lucros, gerando forte pressão vendedora em um momento de baixa demanda. “Foi uma correção grande em um instante em que praticamente não havia compradores”, resumiu.

Impacto da dinâmica institucional

Mesmo diante da retração, o CIO destaca mudanças estruturais que afastam projeções puramente baseadas no passado. A aprovação de ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos, com gestoras como a BlackRock, abriu caminho para a entrada de fundos de pensão, endowments e seguradoras. A presença desses investidores institucionais, somada a novos instrumentos de hedge, deve reduzir a volatilidade e aumentar a correlação do Bitcoin com outras classes de ativos, aponta Kerbage.

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Imagem: infomoney.com.br

Orientação ao investidor

A Hashdex recomenda que o investidor pessoa física encare o Bitcoin como tese de crescimento de longo prazo, comparável ao estágio inicial da internet nos anos 2000. Estratégias táticas seguem possíveis, mas a alocação estrutural é vista como a principal fonte de valor.

Riscos no radar

Kerbage ressalta que o ativo permanece sujeito a riscos. Entre eles, um eventual endurecimento regulatório nos Estados Unidos, semelhante ao banimento imposto pela China em 2021, e avanços da computação quântica capazes de comprometer a criptografia da rede.

Apesar das incertezas, o CIO considera que a recente turbulência reforçou a tese de longo prazo do Bitcoin: oferta previsível e decrescente contrastando com demanda em expansão, em um mundo cada vez mais digitalizado e desconfiado de moedas soberanas.

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