Queda de petroleiras freia avanço do Ibovespa em primeiro pregão de abril

Mercado Financeiro11 horas atrás11 Visualizações

O Ibovespa iniciou abril em território positivo, mas encerrou a sessão desta quarta-feira, 1º de abril de 2026, com ganho modesto de 0,26%, aos 187.934 pontos. A valorização ficou aquém do movimento observado nas bolsas internacionais porque as ações de petróleo, sobretudo Petrobras, perderam força e reduziram o ímpeto do principal índice da B3.

Ao todo, 56 dos 83 papéis que compõem o Ibovespa subiram. Ainda assim, o peso do segmento de óleo e gás — responsável por 16% da carteira teórica, dos quais quase 14% pertencem à Petrobras — impediu um avanço maior. Sem a queda dessas companhias, o índice teria subido cerca de 0,76% e retomado o patamar de 189 mil pontos.

Alívio geopolítico, mas não no fornecimento

O pregão refletiu a percepção de que um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã está mais próximo. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que as operações militares devem terminar em duas ou três semanas, independente da reabertura do Estreito de Ormuz, rota de 20% do comércio mundial de petróleo e gás. O comentário amenizou o temor de escalada do conflito, estimulando a tomada de risco em diversos mercados.

O alívio, porém, não equivale à normalização da oferta física de petróleo. Entre 30% e 40% da capacidade de refino do Golfo Pérsico foi danificada nas últimas cinco semanas, e a reconstrução pode levar até três anos. Diante desse cenário, o barril do Brent, que chegou a US$ 120 no pico da guerra, recuou para a faixa de US$ 100 — a maior queda acumulada desde o início do conflito.

Desempenho das ações de petróleo

A correção da commodity provocou ajustes relevantes nas petroleiras que lideraram os ganhos do Ibovespa em março. No pregão de hoje, Petrobras PN caiu 2,67% e Petrobras ON recuou 3,67%. Prio perdeu 3,14% e PetroReconcavo, 3,06%.

Mesmo após as quedas, Petrobras PN ainda acumula alta superior a 53% no ano, enquanto Prio sobe quase 60%. Até o fim de março, o setor tinha contribuído com cerca de 70% do retorno total do Ibovespa em 2026.

Volume e câmbio

O giro financeiro do dia alcançou R$ 27 bilhões, 52% acima da média diária dos últimos 12 meses (R$ 17,8 bilhões). No câmbio, o dólar à vista caiu 0,40%, cotado a R$ 5,16; na semana, a moeda recua 1,62% e acumula desvalorização de 6% desde janeiro.

Taxa de juros futuros

Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) também refletiram o ambiente de menor aversão a risco. A taxa para janeiro de 2027 passou de 14,07% para 14,03% ao ano. O DI para janeiro de 2031 cedeu de 13,84% para 13,80%, enquanto o vencimento para janeiro de 2036 foi de 13,87% para 13,86%.

Perspectivas para o petróleo

No mercado futuro, os contratos do Brent para junho permanecem perto de US$ 100, sinalizando que, mesmo com a eventual trégua, a recomposição da oferta será lenta. Analistas veem espaço para a cotação voltar à faixa de US$ 80-85, nível anterior à guerra, o que poderia pressionar ainda mais o preço das ações do setor. Atualmente, Prio é negociada a cerca de dez vezes o Ebitda projetado para 2026, acima da média histórica de seis vezes.

Enquanto o alívio geopolítico ocorre mais rápido que a queda do petróleo, investidores devem continuar enfrentando volatilidade nos mercados de ações, na cotação da commodity e na curva de juros.

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