O mercado de renda fixa bancária registrou recuo nas remunerações dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) prefixados em fevereiro. Levantamento da Quantum Finance mostra que a média paga por papéis desse tipo encolheu em praticamente todos os prazos, refletindo a expectativa de cortes na Selic, aumento de liquidez e maior concorrência entre instituições.
Em janeiro, CDBs prefixados com vencimento em 36 meses ofereciam rendimento médio de 13,83% ao ano. Um mês depois, a taxa recuou para 13,06%. Nos papéis de 24 meses, a média caiu de 12,86% para 12,32%, enquanto os títulos de seis meses passaram de 13,96% para 13,62%.
Mario Leonetti, sócio-fundador da Private Investimentos, atribui a retração à precificação antecipada da redução da Selic. Segundo ele, a maior disponibilidade de recursos e a busca dos bancos por captação também pressionam as taxas para baixo. Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research, explica que os juros menores dos títulos públicos prefixados serviram de referência, diminuindo o custo de captação das instituições financeiras.
Paulo Monteiro, head da Gravus Capital, acrescenta que recentes liquidações de instituições de menor porte no mercado de crédito tornaram os emissores menos agressivos na remuneração dos prefixados.
Enquanto os prefixados recuaram, CDBs indexados ao IPCA continuam garantindo juro real superior a 8% ao ano. A média para vencimentos em 24 meses caiu levemente, de IPCA +7,64% para IPCA +7,37%. Para Monteiro, a combinação de risco fiscal e fator técnico de oferta elevada pelo Tesouro mantém as taxas elevadas. Almeida recorda que grandes investidores já cumpriram suas metas de alocação, reduzindo a demanda e sustentando prêmios altos.
Nos CDBs indexados ao CDI, o pequeno investidor só ultrapassa 100% do referencial em emissões de 24 ou 36 meses. Segundo a Quantum Finance, a taxa média para papéis de dois anos ficou em 100,17% do CDI, e em 100,22% para três anos. Para Monteiro, a diferença paga acima do CDI costuma compensar o maior risco de crédito de emissores menores, o que não justificaria a perda de liquidez por parte do investidor pessoa física.
Imagem: infomoney.com.br
Ainda assim, Almeida afirma que CDBs de grandes bancos a 100% do CDI, com liquidez diária, continuam sendo a principal opção para reservas de emergência.
Especialistas preveem que as taxas podem voltar a subir em março diante da abertura da curva de juros observada nos primeiros dias do mês. Entre os fatores citados estão a escalada do conflito no Oriente Médio, que impulsionou o preço do petróleo e eleva pressões inflacionárias no cenário global.
A combinação de fatores internos e externos sugere ao investidor atenção redobrada aos movimentos do mercado de renda fixa nos próximos meses.