O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) informou, na sexta-feira (30), que o país iniciou 2026 com 86,2 milhões de cabeças de gado, o menor efetivo desde a década de 1950. Na década de 1970, o rebanho norte-americano chegou a 132 milhões de animais.
A retração ocorre em meio a um movimento de redução global. Segundo o Usda, o rebanho mundial deve totalizar 903 milhões de cabeças neste ano, quarta queda consecutiva e 127 milhões a menos que em 2014, quando havia 1,03 bilhão.
O consumo mundial de carne bovina acelerou a partir de 2019, após a peste suína africana reduzir a oferta de carne de porco na China. De 2021 a 2025, a demanda global aumentou 21,5%, alcançando 60,2 milhões de toneladas no ano passado e impulsionando os preços a patamares recordes.
Com o rebanho em queda, os Estados Unidos devem importar 2,47 milhões de toneladas de carne bovina em 2026 e exportar 1,13 milhão, invertendo a posição tradicional de saldo positivo. A produção doméstica caiu para 11,7 milhões de toneladas em 2025, retração de 9% frente a 2022. Em dezembro passado, o preço interno da carne bovina estava 19% acima do registrado no fim de 2024.
O volume de compras norte-americanas se aproxima do nível chinês, estimado em 3,7 milhões de toneladas anuais.
O número de vacas que pariram nos EUA recuou para 37 milhões, dificultando a recuperação a curto prazo. Entre os fatores apontados estão subsídios que incentivaram o plantio de grãos em áreas antes destinadas a pastagens, custos elevados de energia e insumos e efeitos climáticos sobre a produção.
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No sentido oposto, o Brasil concentra 86 milhões de vacas – contingente equivalente a todo o rebanho norte-americano – e um total de 170 a 240 milhões de cabeças, a depender da base consultada. O país se mantém como maior produtor e exportador mundial de carne bovina.
Com a oferta apertada, a China, maior importadora global, impõe cotas aos principais fornecedores e busca novos mercados de menor porte para conter o aumento das compras externas.
A combinação de queda de rebanho nos Estados Unidos e aumento da demanda interna e global reforça a pressão sobre os preços e a reconfiguração dos fluxos de comércio da proteína bovina.