A varejista de artigos de luxo Saks solicitou proteção contra falência sob o Capítulo 11 da legislação norte-americana na noite de terça-feira (13), após deixar de pagar US$ 100 milhões (R$ 538,1 milhões) em juros devidos a detentores de títulos em dezembro.
O processo, apresentado em Nova York, deve eliminar a participação dos atuais acionistas, entre eles investidores como Amazon e Salesforce. Em meados do ano passado, credores haviam concordado em conceder um socorro de US$ 600 milhões (R$ 3,2 bilhões) e perdoar parte dos US$ 2,2 bilhões (R$ 11,8 bilhões) em dívidas da empresa.
Na quarta-feira (14), a companhia informou ter assegurado um pacote de financiamento de US$ 1,75 bilhão (R$ 9,4 bilhões), dos quais US$ 1,5 bilhão (R$ 8 bilhões) vêm de detentores de títulos com garantia sênior.
Geoffroy van Raemdonck, ex-presidente da rival Neiman Marcus antes de sua aquisição pela Saks, foi nomeado diretor-presidente. “Este é um momento decisivo para a Saks, e o caminho à frente representa uma oportunidade significativa de fortalecer as bases do nosso negócio e posicioná-lo para o futuro”, afirmou o executivo em comunicado.
Os problemas se intensificaram depois que a Saks e seus financiadores compraram a Neiman Marcus e a Bergdorf Goodman em 2024 por US$ 2,7 bilhões (R$ 14,5 bilhões), operação alavancada por dívida que rapidamente perdeu fôlego. Com pouco caixa e queda geral nas vendas de luxo, a companhia atrasou pagamentos, irritando fornecedores — alguns passaram a exigir pagamento integral na entrega ou interromperam o envio de mercadorias.
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No pedido à Justiça, a Saks declarou dívida financeira total de US$ 3,4 bilhões (R$ 18,3 bilhões) e obrigações adicionais ligadas a imóveis que somam mais de US$ 1,6 bilhão (R$ 8,6 bilhões). Entre os principais credores estão Chanel e Kering, controladora da Gucci. A empresa atribuiu as dificuldades à escassez de estoque e à confiança abalada dos fornecedores, e não à demanda por produtos de luxo.
A Saks é a mais recente rede de departamentos dos Estados Unidos a recorrer à Justiça para reorganizar dívidas. A Neiman Marcus entrou em recuperação em 2020, enquanto a Barneys iniciou a liquidação de suas lojas em 2019, após o fechamento de outras marcas tradicionais como Henri Bendel e Lord & Taylor.
Marc Metrick, responsável pela integração com a Neiman e funcionário da Saks desde 1995, deixou o cargo de CEO no início de janeiro.