São Paulo – A eventual extinção da escala 6×1, em debate no Congresso Nacional, pode aumentar em até 15% o custo da mão de obra da construção civil e comprometer o ritmo dos canteiros de obras em todo o país, segundo estudo divulgado nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic).
O levantamento estima que o gasto anual com salários e encargos, hoje em torno de R$ 135,3 bilhões, subiria para R$ 155,6 bilhões caso a jornada semanal seja reduzida. A remuneração média por hora avançaria aproximadamente 10%, passando de R$ 15,01 para R$ 16,51.
De acordo com a Cbic, o efeito seria mais intenso nas micro e pequenas empresas, que representam 98,7% dos mais de 300 mil estabelecimentos do setor. Nas obras do programa Minha Casa Minha Vida, onde a mão de obra responde por quase 60% do custo total, a pressão seria ainda maior; nos demais padrões de construção, essa fatia varia entre 41% e 54%.
Para compensar a redução de cerca de 600 mil horas trabalhadas por ano, o setor enxerga três alternativas, todas onerosas:
Para o presidente da Cbic, Renato Correia, o debate precisa levar em conta a baixa produtividade e a escassez de mão de obra, apontadas como gargalos em várias regiões.
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O Índice Nacional de Custos da Construção (INCC), da Fundação Getulio Vargas, acumulou alta de 5,81% nos 12 meses encerrados em janeiro de 2026; a parcela de mão de obra subiu 8,93%. No mesmo período, o IPCA avançou 4,44%.
Em 2025, a construção abriu 87.878 vagas formais, com salário médio de admissão de R$ 2.476,70, acima da média nacional de R$ 2.294,62. Para 2026, o setor projeta crescimento de 2%, o terceiro ano seguido de expansão, embora o nível de atividade ainda esteja 9,43% abaixo do pico registrado em 2014.
Além dos cerca de 3 milhões de empregados formais, a cadeia da construção movimenta outros 13 milhões de trabalhadores em fornecedores de materiais, serviços, máquinas e equipamentos.