A turbulência envolvendo o Banco Master deve ganhar novo fôlego logo após o Carnaval. Três linhas de tensão se formam em Brasília: no Supremo Tribunal Federal (STF), depois de ministros suspeitarem de gravações feitas por Dias Toffoli durante a sessão que retirou dele a relatoria do caso; na pressão política direcionada ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; e na atuação do senador Renan Calheiros (MDB-AL).
Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ocupando a presidência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Calheiros articula audiências públicas dentro do grupo criado para acompanhar as investigações sobre o banco controlado por Daniel Vorcaro. A estratégia coloca o Centrão no centro do escândalo, antes concentrado nas supostas ligações entre magistrados do STF e o empresário, além da atuação do Banco Central e da Polícia Federal.
Até o momento, expoentes do Centrão, como o senador Ciro Nogueira e os deputados Arthur Lira, Hugo Motta e outros, vinham evitando a linha de fogo. O caso aproximou-se do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, após operação que mirou o fundo de previdência do Amapá, desencadeando reação política contra as ações da PF.
Se Alcolumbre não interromper o avanço, a CAE deve intensificar a ofensiva. Calheiros já percorreu PF, STF e Banco Central, além de aprovar 19 requerimentos para obtenção de informações e convocações de pessoas ligadas direta ou indiretamente ao episódio. O primeiro ataque ocorreu quando o senador acusou integrantes do Centrão de chantagear o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatas de Jesus para pôr fim à liquidação do Banco Master.
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O depoimento de Daniel Vorcaro está marcado para 24 de fevereiro. Caso compareça, a expectativa é de forte repercussão. Embora critique vazamentos seletivos, a defesa do banqueiro tem recorrido a divulgações de bastidores. Vorcaro declarou possuir aliados em todos os Poderes e sinaliza ter mais informações a revelar. Para evitar suspeitas de que busca apenas moeda de troca, Renan Calheiros precisará apresentar nomes concretos envolvidos no escândalo.
Em 12 de fevereiro de 2026, o presidente do STF, Edson Fachin, recebeu Renan Calheiros e senadores da CAE para discutir o caso, encontro que ilustra a dimensão institucional atingida pela crise.