São Paulo, — A fatia do fornecimento de Bitcoin (BTC) que permanece em lucro atingiu 60,6% nesta quinta-feira, segundo dados da plataforma CryptoQuant. O percentual vem oscilando na faixa entre 50% e 60%, intervalo historicamente associado a fases de reinício de ciclo no mercado da criptomoeda.
Em 5 de fevereiro, o indicador caiu para 50,8%, o menor patamar desde 2 de janeiro de 2023, deixando grande parte dos investidores empatados ou em prejuízo. Situações semelhantes ocorreram:
Nos últimos cinco anos, a faixa de 50% a 60% de rentabilidade costuma marcar períodos em que muitos investidores estão próximos do preço de aquisição, comprimindo ganhos não realizados e reduzindo o ímpeto de venda em momentos de fraqueza.
Embora não defina o ponto exato do fundo, o indicador destaca áreas onde a acumulação de longo prazo precedeu fortes altas, enquanto a pressão vendedora diminuía.
Os dados mostram que o Net Unrealized Profit/Loss de detentores de longo prazo (LTH-NUPL) está em 0,40, sinal de que esse grupo continua confortável em lucro, diferentemente de 2015, 2018 e 2022, quando o indicador ficou negativo durante mercados de baixa.
Essa diferença reflete uma nova composição do mercado: empresas e fundos negociados em bolsa (ETFs) detêm aproximadamente 3.319.677 BTC, ou 15,8% da oferta circulante, investidores com perfil de manutenção mais longo e menos sensíveis às oscilações de curto prazo.
Imagem: cointelegraph.com
O volume de BTC proveniente de detentores de curto prazo enviado para a Binance caiu para 25.000 BTC em 25 de março, o menor nível do ciclo, frente aos cerca de 100.000 BTC registrados na venda de início de fevereiro, observou o analista Darkfost. A redução sinaliza menor venda reativa por parte de recém-entrantes.
Para o analista GugaOnChain, métricas como market-value to realized-value (MVRV) abaixo de 1, NUPL inferior a ‑0,2 e Puell Multiple perto de 0,35 tendem a surgir em períodos de pressão de varejo e subvalorização. Embora não apontem o fundo exato, esses níveis historicamente limitam o risco de queda em comparação com o potencial de alta no longo prazo.
Especialistas ressaltam que, apesar dos padrões históricos, o desempenho passado não garante resultados futuros e que decisões de investimento devem considerar o próprio perfil de risco do investidor.