São Paulo – O economista Samuel Pessôa, pesquisador do BTG Pactual e do FGV IBRE, reconheceu a forte queda do salário mínimo real entre 1960 e 1991 após ser questionado por uma leitora sobre dados apresentados em sua última coluna.
No texto anterior, Pessôa apontara que, nos últimos 30 anos, o salário mínimo real avançou 188%, enquanto a produtividade do trabalho cresceu 30%. A leitora Isabel Pitta contestou a comparação, lembrando que, do final dos anos 1950 ao início do Plano Real, o poder de compra do mínimo chegou a recuar cerca de 50%, segundo séries do Ipeadata.
Em resposta publicada nesta semana, o economista admitiu a correção da observação e divulgou gráfico com valores atualizados a preços de janeiro de 2026. O material confirma a retração entre 1960 e meados de 1991 e mostra que o piso salarial atingiu seu ponto mais baixo em 1951, com média de R$ 378.
Pessôa avaliou que, antes do Plano Real, o patamar do salário mínimo era “claramente insustentável”, pois a produtividade da economia não comportava o valor determinado em lei, resultando em inflação alta e sucessivas perdas reais. Após 1994, segundo ele, a política de valorização do mínimo tornou-se relativamente mais sustentável, mas passou a ser acompanhada por juros reais elevados.
O economista fez duas ressalvas à crítica de Isabel Pitta:
Imagem: redir.folha.com.br
Entre 1951 e 2024, o salário mínimo real cresceu 297%, enquanto a produtividade do trabalho avançou 204%, de acordo com novas estimativas de Bacha, Tombolo e Versiani. No mesmo período, a produtividade dos Estados Unidos subiu 355%. “O salário mínimo é baixo porque a produtividade é baixa”, resumiu Pessôa.
O colunista calculou que a retomada da política de valorização do piso salarial, somada à reindexação dos gastos com saúde e educação à arrecadação, adicionará R$ 210 bilhões ao gasto primário em 2026. Ele projeta que, no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a dívida pública crescerá 10% do PIB.
Para conter o avanço dos juros e estabilizar a dívida, Pessôa defende manter o valor real do salário mínimo congelado por vários anos e atrelar as despesas de saúde e educação apenas ao crescimento demográfico.