Com a Selic em torno de 15% ao ano, o custo efetivo de captação para as companhias brasileiras — somando a taxa básica ao spread exigido pelos investidores — chega a 20% ou 22% ao ano. O cenário tem deslocado o foco do setor corporativo da expansão para a sobrevivência, segundo José Alexandre Freitas, sócio e CEO da Oliveira Trust.
De acordo com o executivo, o mercado de capitais tornou-se refúgio para as empresas, que buscam alongar dívidas e reduzir limites bancários por meio de veículos “off balance”. “O juro alto é veneno”, afirma Freitas, projetando que a Selic encerre 2026 em 13,5% ao ano — patamar ainda elevado, mas considerado um alívio.
A curva de inadimplência corporativa permaneceu estável nos últimos 18 meses. A principal exceção é o agronegócio, afetado por quebras de safra que levaram a pedidos de recuperação judicial e renegociações de dívidas.
Com liquidez concentrada em títulos públicos, bancos restringiram o crédito tradicional. Em resposta, as empresas intensificaram emissões de FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) e Notas Comerciais, instrumento isento de IOF e de emissão mais ágil.
Dados da Anbima mostram captação recorde de R$ 90,8 bilhões em FIDCs em 2025. As Notas Comerciais somaram R$ 51,8 bilhões, alta de 18,9% sobre 2024. No total, o mercado de capitais brasileiro movimentou R$ 838,8 bilhões em ofertas públicas em 2025, maior valor da série histórica.
Nesse ambiente, a Oliveira Trust registrou lucro líquido de R$ 40,8 milhões no quarto trimestre de 2025, avanço de 38% em relação ao mesmo período de 2024. O volume de escrituração cresceu 37%, alcançando R$ 622 bilhões, garantindo 38% de participação nas novas operações do mercado.
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O trimestre foi impactado por um “falso dezembro” em setembro, quando emissores correram para lançar títulos antes do suposto fim da isenção para papéis incentivados — medida que acabou não ocorrendo. No ano, as debêntures de securitização subiram 58,5%, e o número de operações de FIDCs ultrapassou mil.
Nos últimos cinco anos, a empresa eliminou processos manuais, instalou mais de 300 robôs e implementou sistema próprio de processamento de recebíveis. A força de trabalho aumentou 10%, enquanto o lucro anual avançou 33%. Ferramentas de inteligência artificial cruzam dados contábeis e emitem alertas precoces de risco.
Com orçamento de tecnologia garantido para os próximos três anos, o plano da Oliveira Trust é sustentar crescimento superior a 20% ao ano.