Selic permanece em 15% e analistas apontam como alocar em renda fixa, Bolsa, fundos e exterior

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São Paulo, 28 de fevereiro de 2026 – O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros em 15% ao ano na reunião desta quarta-feira. Com a próxima decisão marcada para março e já se vislumbrando o início do ciclo de cortes, especialistas sugerem ajustes nas carteiras de investimento.

Renda fixa pública

Segundo Camilla Dolle, head de renda fixa do Research da XP, ainda há oportunidade de travar retornos elevados em títulos do Tesouro Direto. Ela indica o Tesouro IPCA+ com vencimento entre cinco e seis anos para quem busca proteção inflacionária e potencial de ganho de capital. A XP também vê espaço em prefixados, favorecidos pela provável redução da curva de juros.

Na Inter Asset, o gestor Ian Lima destaca os prefixados com prazo de dois a três anos como alternativa com maior potencial de valorização no curto prazo.

Crédito privado

Marcelo Soares, sócio da One Investimentos, observa que a relação risco-retorno dos títulos corporativos perdeu atratividade, com spreads comprimidos. A recomendação é priorizar papéis de empresas de setores defensivos, como energia e saneamento.

Daniel Pegorini, CEO da Valora, vê oportunidades em debêntures incentivadas e fundos de infraestrutura, por remunerarem em juro real e permitirem diversificação. Para quem tolera mais risco, FIDCs ganham espaço porque o aumento dos juros elevou a taxa de desconto dos recebíveis.

Ações brasileiras

Estratégias que combinam empresas geradoras de caixa com small caps vêm ganhando força. Rafael Espinoso, da Tivio Capital, lembra que, historicamente, há rotação para companhias menores após fortes altas do Ibovespa.

  • Small caps citadas: Randon (RAPT3) – vista por Ricardo Campos, da Reach Capital, como “muito barata” e com expectativa de recuperação de resultados; Marcopolo (POMO4), indicada por Bruno Corano, da Corano Capital.
  • Âncoras de estabilidade: Prio (PRIO3), Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) aparecem na carteira de Fabio Lemos, da Fatorial Investimentos, pelo forte fluxo de caixa e pagamento de dividendos.

Fundos de investimento

A expectativa de Selic menor tem redirecionado recursos para multimercados com histórico consistente, aponta Fabio Zaclis, gestor da Daycoval Asset. Em contrapartida, fundos de ações ainda não recebem fluxos significativos, pois parte dos investidores aguarda juros de um dígito ou maior clareza eleitoral.

No crédito privado, Pedro Claudino, da Empiricus Research, prevê possível saída de capital em direção a ativos de risco, embora muitos fundos já mantenham caixa elevado para enfrentar resgates.

Nos multimercados, o ganho virá da diferença entre o que o mercado precifica e o ciclo efetivo de cortes, avalia Claudino.

Fundos imobiliários

Com a Selic estável, o mercado monitora sinais de cortes já em março. Marcelo Boragini, da Davos Investimentos, afirma que uma comunicação mais construtiva pode antecipar reprecificação, sobretudo nos fundos de tijolo, mais sensíveis aos juros longos.

O Ifix acumula cerca de 28% em 12 meses. Para Marcos Vinícius L. Laplechade de Oliveira, da ZIIN Investimentos, a intensidade do ciclo será determinante, pois o juro real permanece acima de 7,5% ao ano. Isabela Perez, da Rio Bravo, nota que as cotas seguem negociadas com desconto em relação ao valor patrimonial, sugerindo espaço adicional de valorização, especialmente em galpões logísticos e shopping centers.

Mercado internacional

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve as taxas, e a expectativa é de cortes apenas a partir de junho. Marcos Vinícius L. Laplechade de Oliveira aponta que tensões geopolíticas e ameaças tarifárias do presidente Donald Trump têm provocado o movimento “Sell America”, favorecendo emergentes e commodities.

André Rosenblit, da Nest Asset Management, considera o impacto neutro no curto prazo, mas ressalta que um comunicado mais dovish do Fed poderia impulsionar bolsas globais e derrubar dólar e juros. A temporada de resultados do quarto trimestre de 2025, puxada pelas grandes empresas de tecnologia, também tende a influenciar o mercado.

Com o cenário de juros no Brasil prestes a iniciar trajetória de queda, analistas recomendam avaliar prazos, liquidez e perfil de risco antes de ajustar as carteiras, aproveitando janelas em renda fixa, oportunidades táticas em ações e a retomada gradual dos fundos multimercados e imobiliários.

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