Uma série de eventos externos e internos movimentou os mercados brasileiros na semana. Ataques aéreos de Estados Unidos e Israel contra o Irã impulsionaram o preço do Brent além de US$ 100 o barril, alterando projeções de inflação e exigindo respostas rápidas de governos.
Com o salto do petróleo, o governo brasileiro anunciou tarifa de 12% sobre exportações de óleo bruto, subsídios ao diesel e outras medidas emergenciais para conter impactos sobre preços domésticos e abastecimento.
Apesar do choque nos combustíveis, o Comitê de Política Monetária decidiu baixar a Selic em 0,25 ponto percentual, fixando a taxa em 14,75% ao ano. O comunicado traz linguagem considerada mais branda, indicando possibilidade de novos cortes do mesmo tamanho — ou maiores — caso o cenário permita. O Banco Central afirmou que o avanço do petróleo praticamente não alterou suas projeções de inflação.
Modelos quantitativos continuam apontando para um regime de baixa inflação com juros em queda, ambiente historicamente favorável ao Ibovespa. Entretanto, o encarecimento do petróleo aumentou a probabilidade de migração para regimes menos benignos, como baixa inflação com juros em alta ou inflação elevada com juros em queda. Nesse quadro, empresas de mineração e siderurgia — Vale (VALE3), CSN (CSNA3) e Gerdau (GGBR4) —, além dos grandes bancos — Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) — mostram desempenho mais resiliente.
Entre as ações de consumo, Lojas Renner (LREN3) ganhou atenção dos analistas após registrar margem bruta de 56,1% em 2025, alta de 0,7 ponto percentual e próximo do recorde de 2019. A companhia sinalizou espaço para novos ganhos, o que sustenta a visão de melhor relação risco–retorno no setor em meio a juros altos e crédito restrito.
Imagem: infomoney.com.br
A sanção da Lei nº 15.042, em novembro de 2024, criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Quando entrar em vigor, o cap-and-trade imporá custos a grandes emissoras listadas na bolsa, mas também abrirá oportunidades para empresas com operações mais limpas ou capacidade de gerar créditos de carbono.
A Receita Federal divulgou as regras do Imposto de Renda 2026, referentes aos rendimentos de 2025, determinando que lucros obtidos em apostas de cota fixa sejam informados pela primeira vez. O órgão ampliou a fiscalização sobre a atividade, e contribuintes que não declararem podem cair na malha fina.