Bancos e fintechs fecham apoio ao Banco Central para preservar decisões técnicas no caso Master

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Grandes e médios bancos, fintechs e demais instituições financeiras adotaram posicionamento conjunto em defesa do Banco Central (BC) após o órgão determinar, em novembro, a liquidação do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. A medida busca resguardar a autoridade monetária de eventuais pressões políticas caso o Supremo Tribunal Federal (STF) ou o Tribunal de Contas da União (TCU) venham a reverter a decisão.

As principais associações do setor — que, somadas, representam 244 instituições — divulgaram notas alertando para os riscos que uma eventual fragilização do BC traria à estabilidade econômica e regulatória do país. Paralelamente, executivos intensificaram conversas com integrantes do STF e do TCU, segundo fontes ouvidas.

Mobilização inédita

A articulação reúne entidades que até recentemente travavam disputas públicas. Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e fintechs, como o Nubank, unificaram o discurso ao lado de Acrefi, ABBC e Zetta para sustentar a autonomia do BC. A Anbima também emitiu comunicado na mesma linha.

A convergência foi desencadeada após o ministro do TCU Jonathan de Jesus dar 72 horas ao BC para explicar a liquidação, atendendo a pedido do Ministério Público de Contas e da liderança da minoria na Câmara.

Origem da crise

O Banco Master ganhou espaço oferecendo CDBs com rentabilidade acima do mercado e destacando a cobertura de até R$ 250 mil por CPF garantida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A estratégia elevou a exposição do fundo, que agora arcará com a maior perda de sua história: R$ 41 bilhões.

Executivos de grandes bancos já vinham cobrando do BC critérios mais rígidos para uso do FGC. Mudanças aprovadas posteriormente, sob a gestão de Gabriel Galípolo, foram consideradas insuficientes por parte do mercado.

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Imagem: redir.folha.com.br

Temor de precedentes

Integrantes do setor avaliam que a simples possibilidade de o mérito técnico das decisões do BC ser revisto por outras instâncias institucionais abriria caminho para questionamentos futuros motivados por interesses políticos. “É uma questão de sobrevivência da estabilidade regulatória”, resumiu um banqueiro.

Apesar da frente única em defesa do regulador, permanecem divergências sobre a rapidez e o tamanho do aperto regulatório após a quebra do Master, inclusive sobre a recomposição das reservas do FGC.

Do lado das instituições menores e das fintechs, a preocupação é evitar retrocessos na agenda de inovação e concorrência. Ainda assim, o consenso atual é de que defender o Banco Central significa, neste momento, defender a própria indústria financeira.

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