Quase 30 sindicatos que representam empregados e ex-empregados da Axia Energia, novo nome da antiga Eletrobras, ingressaram com duas ações na Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro para exigir participação nos lucros e resultados (PLR) referente a R$ 30 bilhões da reserva de lucros que a companhia decidiu converter em bonificação a acionistas.
Os processos foram protocolados por e-mail na quarta-feira (31), durante o plantão judiciário. De acordo com as petições, a empresa acumulou R$ 45,5 bilhões em reserva de lucros entre 2016 e 2024, montante que não havia sido distribuído até então.
Em assembleia geral extraordinária realizada em 19 de dezembro, os acionistas autorizaram a liberação de R$ 30 bilhões dessa reserva para emissão de uma nova classe de ações preferenciais C (PNCs), concedidas como bonificação. Um procurador da Fazenda Nacional, representante da União, votou contra a operação.
Para os sindicatos, a conversão das reservas em ações equivale a distribuição de resultados e, portanto, aciona cláusulas dos Termos de Pactuação da PLR. Esses acordos preveem pagamento aos trabalhadores de até 6,25% do lucro líquido, limitado a 25% dos dividendos distribuídos.
“Ao transformar reservas acumuladas em vantagem patrimonial imediata para os acionistas, a companhia elevou o teto contratual que define o valor da PLR”, afirmam as entidades nas ações.
No ano passado, em meio ao debate sobre a nova tributação de 10% sobre dividendos superiores a R$ 50 mil, válida desde quinta-feira (1º), a Axia anunciou duas distribuições antecipadas de proventos, somando R$ 8,3 bilhões referentes ao exercício de 2025. Os sindicatos calculam que, após essas operações, a reserva de lucros fechou 2023 em R$ 39,9 bilhões.
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No entendimento do mercado, a bonificação em ações seria uma estratégia da empresa para remunerar acionistas sem incidir no novo imposto, já que não se enquadra na definição clássica de dividendos.
Os advogados Maximiliano Garcez e Diego Bochnie, que representam os sindicatos, solicitam liminar para suspender os efeitos econômicos da destinação das reservas até que a participação dos trabalhadores seja reconhecida. Eles citam jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho favorável à tese.
Procurada, a Axia Energia informou que não comentará o assunto.