São Paulo, — O token nativo da Solana (SOL) enfrenta pressão crescente para manter o patamar de US$ 78 após sucessivas tentativas frustradas de superar US$ 89 nas últimas duas semanas.
O saldo em aberto dos contratos futuros de SOL encolheu 75% desde o pico de US$ 13,5 bilhões registrado há cinco meses. Ao mesmo tempo, quem mantém posições vendidas paga uma taxa anualizada próxima de 20%, reflexo de forte convicção bajista. Para efeito de comparação, o funding rate de Ether (ETH) estava em 1% na quarta-feira.
Nos últimos 30 dias, SOL ficou 11% atrás da capitalização total do setor cripto. O ativo ainda figura entre as sete maiores criptomoedas por valor de mercado, mas acumula queda de 67% em relação à máxima de US$ 253 alcançada em setembro de 2025.
A retração de preços impactou diretamente as aplicações descentralizadas na rede. Na semana passada, a receita somada dos dApps caiu para US$ 22,8 milhões, o patamar mais baixo desde outubro de 2024. O launchpad de memecoins Pump respondeu por US$ 9,1 milhões, ou 40% do total.
No mesmo período, as principais aplicações da rede Ethereum — entre elas Sky, Flashbots e Aave — somaram US$ 16 milhões em receita semanal, alta de 2% no mês, reforçando a diferença de perfil: Solana depende fortemente de negociações de varejo e memecoins, enquanto o ecossistema Ethereum segue dominando em finanças descentralizadas de maior valor agregado.
Imagem: cointelegraph.com
A demanda tímida também aparece nos fundos negociados em bolsa. Os produtos de investimento lastreados em SOL concentram US$ 2,1 bilhões em ativos sob gestão, montante 86% inferior aos US$ 15,8 bilhões dos ETFs de Ethereum oferecidos por gestoras como Bitwise, Fidelity, Grayscale, 21Shares, CoinShares e REX-Osprey.
Com métricas on-chain enfraquecidas e indicadores de derivativos apontando predominância vendedora, qualquer frustração adicional pode romper o já frágil suporte de US$ 78. Para retomar o fôlego, analistas avaliam que o ecossistema precisará atrair casos de uso além do varejo, como infraestrutura de inteligência artificial e mercados preditivos, setores que enfrentam forte concorrência.