Sri Lanka transforma quartas-feiras em feriado para poupar combustível e crise leva outros países a adotarem restrições

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Colombo – O governo do Sri Lanka determinou que todas as quartas-feiras sejam feriado nacional a partir de 18 de março de 2026, com o objetivo de ampliar a duração dos estoques de combustível diante da escalada de preços provocada pela interrupção do tráfego no estreito de Hormuz.

Escolas, universidades e repartições públicas permanecem fechadas uma vez por semana. O serviço de trens e ônibus é reduzido nesses dias, enquanto hospitais e demais serviços essenciais continuam em operação.

Além do feriado semanal, o país iniciou o racionamento nas bombas. O abastecimento passará a seguir o dígito final da placa do veículo: se o número e a data forem ímpares, o condutor poderá encher o tanque; a mesma lógica vale para dias e placas com números pares. A medida, segundo o presidente da estatal Ceylon Petroleum Corporation (CPC), S. Rajakaruna, pretende “cortar pela metade” as filas nos postos.

No ano passado, derivados de petróleo somaram cerca de US$ 4 bilhões (R$ 20,8 bilhões) das importações do Sri Lanka, cuja população é de 22 milhões de habitantes e conta com apenas uma refinaria.

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Imagem: redir.folha.com.br

Reação global à crise de abastecimento

Com 20% da produção mundial de petróleo e gás comprometida pela quase paralisação do estreito de Hormuz desde 28 de fevereiro, governos em vários continentes anunciaram iniciativas emergenciais:

  • Índia: consumidores com gás natural encanado estão proibidos de adquirir ou recarregar botijões de GLP. Refinarias receberam ordem para ampliar a produção de GLP e reduzir as vendas industriais, garantindo fornecimento a 333 milhões de lares.
  • Coreia do Sul: foi afrouxado o limite para geração de energia a carvão; usinas nucleares podem operar com até 80% da capacidade. O governo avalia vouchers extras de energia para famílias de baixa renda.
  • China: suspendeu exportações de combustíveis refinados para evitar falta interna e liberou estoques de fertilizantes antes do próximo plantio.
  • Austrália: liberou gasolina e diesel das reservas estratégicas para atender cadeias de suprimentos rurais, mineração e agricultura.
  • Japão: solicitou à Austrália, maior fornecedora de GNL, que amplie a produção.
  • União Europeia: recomendou que países flexibilizem regras de importação de gás para não atrasar entregas de GNL.
  • Itália: avalia reduzir impostos sobre combustíveis e, se necessário, elevar tributos de empresas que lucram com a crise.
  • Malásia: destinou 2 bilhões de ringgits (R$ 2,6 bilhões) em subsídios para manter o preço da gasolina.
  • Tailândia: iniciou negociação com a Rússia para comprar petróleo bruto e anunciou teto de 33 bahts (R$ 5,30) por litro de diesel, além de congelar preços de determinados insumos agrícolas.
  • Filipinas: pretende conter tarifas de energia, ampliando a geração a carvão e regulando preços de eletricidade.
  • Brasil: o governo zerou impostos federais sobre o diesel.
  • Egito: impôs um preço máximo para o pão não subsidiado em padarias privadas.
  • Etiópia: aumentou subsídios destinados aos combustíveis.

As ações refletem a busca global por alternativas rápidas para assegurar o abastecimento e limitar o impacto econômico provocado pela escalada do petróleo.

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