A empresa de análise de blockchain Chainalysis estima que o volume ajustado de transações com stablecoins pode alcançar US$ 1,5 quatrilhão até 2035, superando o montante anual de pagamentos internacionais estimado em US$ 1 quatrilhão atualmente.
O relatório, divulgado nesta quarta-feira (10), projeta que, mesmo sem fatores externos adicionais, o mercado teria potencial para atingir cerca de US$ 719 trilhões daqui a 11 anos, partindo de US$ 28 trilhões previstos para 2025. Para chegar ao cenário máximo de US$ 1,5 quatrilhão, a consultoria considera dois catalisadores macroeconômicos:
1. a transferência de aproximadamente US$ 100 trilhões em patrimônio da geração baby boomer para sucessores mais receptivos a criptoativos;
2. a substituição de infraestruturas tradicionais de pagamento por stablecoins como padrão de liquidação.
Caso essas condições se concretizem, o volume anual de stablecoins ultrapassaria a soma de todos os pagamentos transfronteiriços atuais, além de superar a estimativa de US$ 662 trilhões em valor total de ativos globais calculada pela World Population Review.
Mesmo o valor “orgânico” de US$ 719 trilhões exigiria que o setor mantivesse uma taxa composta de crescimento anual de 133% durante a próxima década, segundo a Chainalysis.
Para Rachael Lucas, analista da exchange australiana BTC Markets, o número de US$ 1,5 quatrilhão representa um “cenário-teto”, mas não está fora de alcance. “O crescimento está acelerando, e volume mede quantas vezes o mesmo dólar circula, não quanto dinheiro existe”, explicou.
Imagem: cointelegraph.com
Lucas citou movimentos de mercado como a aquisição da Bridge pela Stripe e a parceria da Mastercard com a BVNK como evidências de que a infraestrutura para stablecoins já está em desenvolvimento. A analista também destacou que a proposta do GENIUS Act, em discussão nos Estados Unidos, pode oferecer clareza regulatória e impulsionar a entrada institucional nesse tipo de ativo.
Dados de uma pesquisa publicada em janeiro pela OKX revelam que 40% da Geração Z e 36% dos millennials nos Estados Unidos pretendem aumentar sua atividade em cripto neste ano, contra 11% dos boomers. Já um estudo da EY-Parthenon, de setembro, aponta que 13% das instituições financeiras e empresas globais já utilizam stablecoins, enquanto 54% dos que ainda não adotam planejam fazê-lo nos próximos 12 meses.
A Chainalysis conclui que, se a migração geracional de riqueza se alinhar à expansão da infraestrutura de pagamentos on-chain, o mercado de stablecoins poderá superar, em volume transacionado, setores financeiros tradicionais em menos de uma década.