Subutilização da mão de obra permanece em 13,4% apesar de desemprego recorde de baixa

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A taxa de desemprego no Brasil recuou a 5,1% no quarto trimestre de 2025, o menor nível desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo IBGE. Mesmo assim, 13,4% da força de trabalho ampliada continuavam subutilizados, percentual que, embora também seja o piso da série, ainda se mantém em dois dígitos.

O que mostra a subutilização

O indicador de subutilização abrange três grupos:

• Desempregados: 5,5 milhões de pessoas sem trabalho que buscam ocupação.
• Subocupados por insuficiência de horas: 4,5 milhões que trabalham menos de 40 horas semanais e gostariam de ampliar a jornada.
• Força de trabalho potencial: 5,3 milhões que não procuraram emprego ou não estavam disponíveis para iniciar imediatamente.

Somados, esses três segmentos totalizam 15,3 milhões de pessoas de 14 anos ou mais, em um universo de 113,8 milhões de trabalhadores potenciais.

Comparação histórica

A subutilização chegou a superar 30% em 2020, durante a pandemia. Segundo analistas, a atual marca de 13,4%, embora baixa em termos históricos, continua elevada diante de entraves estruturais do mercado de trabalho brasileiro, como produtividade reduzida e alta informalidade.

Desigualdades regionais

Mesmo com recuo generalizado, a taxa de subutilização varia sensivelmente pelo país:

• Nordeste: 22,6%
• Norte: 15,7%
• Sudeste: 11%
• Centro-Oeste: 8,6%
• Sul: 7,2%

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Imagem: redir.folha.com.br

Seis estados nordestinos registraram mais de 20% de mão de obra subutilizada no quarto trimestre de 2025: Piauí (27,8%), Bahia (25,4%), Alagoas (25,1%), Sergipe (24,3%), Maranhão (22,8%) e Pernambuco (21,9%). Na outra ponta, oito unidades da Federação ficaram abaixo de 10%, com destaque para Santa Catarina (4,4%) e Espírito Santo (5,9%).

Capitais com maiores e menores índices

No recorte das capitais, Recife liderou com 19,9% de subutilização, seguida por Aracaju (18,4%) e Salvador (18,1%). Já Goiânia (5,5%), Campo Grande (5,9%) e Florianópolis (6%) exibiram os menores percentuais.

Visões de especialistas

Para João Mário de França, pesquisador do FGV Ibre, a taxa de 13,4% ainda representa “número elevado” de trabalhadores subutilizados. Ely José de Mattos, professor da Escola de Negócios da PUCRS, ressalta que o indicador reflete questões estruturais, enquanto Alysson Portella, estudioso das desigualdades regionais, vincula as disparidades a diferenças históricas de desenvolvimento e educação. Já Edgard Leonardo Lima, do Centro Universitário Tiradentes, aponta que mudanças tecnológicas dificultam a recolocação de profissionais, levando muitos a aceitar ocupações precárias ou de jornada reduzida.

O IBGE reforça que a taxa de desemprego mede a busca por trabalho e permite comparações internacionais, enquanto a taxa de subutilização amplia o diagnóstico ao captar formas de inserção laboral insuficiente. Segundo o instituto, ambas devem ser analisadas de forma complementar para avaliar o real aproveitamento da força de trabalho no país.

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