Os principais índices acionários dos Estados Unidos enfrentaram uma nova rodada de perdas na última semana, à medida que investidores recalculam os efeitos da inteligência artificial (IA) em diferentes cadeias de produção.
No período, o Nasdaq recuou 2%, o S&P 500 cedeu 1,4% e o Dow Jones caiu 1,2%.
Empresas de gestão de patrimônio sentiram o maior baque depois da apresentação de uma ferramenta tributária baseada em IA que promete estratégias personalizadas para clientes. As ações da Charles Schwab caíram 10% na semana, enquanto os papéis da Raymond James encolheram 8%.
No segmento de transporte e logística, a notícia de uma solução que permitiria elevar o volume de fretes sem aumento de pessoal provocou quedas de 11% na CH Robinson e de 9% na Universal Logistics.
O movimento repete o que já ocorre no setor de desenvolvimento de programas, onde o avanço dos agentes de IA pressiona margens e modelos de negócios. O ETF iShares Expanded Tech-Software Sector (IGV), que reúne nomes como Microsoft e Palantir, acumula retração de 22% em 2024.
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“Esse é o lado sombrio da IA; outros ramos devem sentir o impacto, e isso representa uma ameaça real”, afirmou Tim Urbanowicz, estrategista-chefe de investimentos da Innovator Capital Management, ao Yahoo Finance. Para ele, as margens ainda elevadas do setor de software indicam que o piso do movimento de baixa pode não ter sido atingido.
Já Amanda Agati, diretora de investimentos do PNC Asset Management Group, vê o recuo como parte de uma trajetória ascendente mais ampla. “Encaro essa correção como passageira. A amplitude do mercado fora desses casos isolados me dá confiança de que a tendência continua positiva, mesmo num ano instável”, disse a executiva.
As discussões sobre ganhos de eficiência e cortes de custos gerados pela IA seguem no radar, alimentando a volatilidade em setores que, até agora, se julgavam menos expostos à disrupção tecnológica.