O Bitcoin (BTC) voltou a superar a marca de US$ 90.000 no sábado, alcançando o maior patamar em três semanas, mas indicadores de derivativos e fluxos de ETFs apontam que investidores seguem reticentes quanto a novas altas.
Apesar de o S&P 500 negociar apenas 1,3% abaixo do topo histórico, preocupações com o cenário econômico aumentaram após a Tesla divulgar vendas decepcionantes. A montadora entregou 418.227 veículos no quarto trimestre, queda de 15% em relação aos 495.570 do mesmo período do ano anterior. As ações da empresa recuaram 2,5% na sexta-feira e permanecem 12,2% abaixo do recorde.
No mercado futuro, o índice Nasdaq não conseguiu retomar o nível de 26.000 pontos, refletindo o impasse entre o otimismo com a inteligência artificial e sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho nos Estados Unidos.
Na contramão, a chinesa Baidu avançou 15% depois de protocolar pedido de IPO em Hong Kong para listar sua unidade de chips de IA, a Kunlunxin, alimentando algum otimismo pontual no setor de tecnologia.
Mesmo com a valorização, a demanda por posições alavancadas pró-alta se manteve estável. A taxa básica de futuros de dois meses do Bitcoin permaneceu abaixo do nível considerado neutro, indicando preocupação dos compradores. O prêmio anualizado em relação ao mercado à vista está em 4%, reflexo de temores de que tarifas de importação nos EUA pressionem a economia.
O último teste da região de US$ 85.000, em 19 de dezembro, não gerou movimento vendedor significativo, mas o BTC vem oscilando em uma faixa apertada de 6% há 20 dias, reforçando a cautela.
Imagem: cointelegraph.com
Desde 15 de dezembro, os ETFs à vista de Bitcoin listados nos Estados Unidos registraram mais de US$ 900 milhões em saídas líquidas. Em sentido oposto, fundos de ouro anotaram sete semanas seguidas de entradas, sugerindo menor confiança no crescimento econômico norte-americano.
No mercado de opções, contratos de venda (put) negociaram com prêmio sobre os de compra (call), evidenciando busca por proteção contra recuos. O delta skew de opções de um mês permaneceu dentro da faixa neutra de ‑6% a +6%, mas distante de um viés claramente otimista.
A inflação continua no centro das atenções, enquanto o governo dos EUA estuda incentivos fiscais para impulsionar a economia. Segundo a ferramenta CME FedWatch, os futuros de juros apontam apenas 16% de probabilidade de a taxa cair para 3,25% ou menos até abril.
Diante desse cenário, operadores de derivativos não precificam ganhos adicionais relevantes para o Bitcoin no curto prazo, indicando que a confiança deve se reconstruir gradualmente após um mês de consolidação em torno de US$ 89.000.