Tempestade de 2.300 milhas pressiona rede elétrica dos EUA e faz operadores agirem para evitar blecautes

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Uma forte tempestade de inverno que se estende por mais de 2.300 milhas sobre os Estados Unidos obrigou operadores de rede a adotarem medidas emergenciais para manter o fornecimento de energia e impedir blecautes rotativos.

PJM Interconnection, maior operador regional do país e responsável por atender 67 milhões de pessoas no Leste e no Meio-Atlântico, viu o preço da energia no mercado atacadista saltar temporariamente para mais de US$ 3.000 por megawatt-hora na madrugada de sábado, frente a menos de US$ 200 observados horas antes.

Na Nova Inglaterra, usinas a óleo foram acionadas para poupar gás natural — principal combustível da região — em meio ao aumento de demanda provocado pelas baixas temperaturas, segundo a agência Reuters.

Dependência do gás natural

De acordo com Didi Caldwell, fundadora e presidente da consultoria Global Location Strategies, a pressão sobre o sistema decorre da forte dependência do gás natural, responsável hoje por cerca de 40% da geração elétrica norte-americana, ante 12% em 1990.

“Falta capacidade suficiente para armazenar e entregar gás em tempo real”, afirmou Caldwell, lembrando que, diferentemente das usinas a carvão — que estocam combustível no próprio site —, as plantas a gás operam com entregas just-in-time. Qualquer interrupção em dutos ou instalações pode comprometer rapidamente a produção de eletricidade.

Regiões mais suscetíveis

Caldwell destacou que todas as áreas estão expostas, mas por motivos distintos. No Sudeste, o desafio é a combinação de pouca capacidade de armazenamento e de transporte. O trecho Zone 5 do gasoduto Transcontinental, que atravessa Geórgia, Carolina do Sul, Carolina do Norte e Virgínia, foi citado como um dos pontos mais vulneráveis: durante eventos de frio intenso, tanto o preço do gás quanto o custo pela reserva de capacidade no duto disparam.

Lições de eventos anteriores

As fragilidades do sistema ficaram evidentes na Tempestade Uri, que atingiu o Texas em 2021 e provocou cortes de energia após o congelamento da infraestrutura de gás. Melhorias foram realizadas desde então, mas o atual evento é um dos primeiros grandes testes dessas atualizações, ressaltou Caldwell.

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Imagem: Sophia Compton FOXBusiness via foxbusiness.com

Em 2022, uma onda ártica quase levou o sistema ao limite no Sudeste e no Meio-Atlântico; a rede só se manteve estável graças a medidas de emergência e margens apertadas.

Próximos passos

Para a analista, soluções duradouras exigem modernização da rede, aprimoramentos no transporte de gás e maior integração entre os setores de gás e eletricidade. “Adicionar mais geração a gás não resolverá e pode até agravar os riscos”, disse.

Procurada pela reportagem, a PJM Interconnection não se manifestou.

Além dos impactos na energia, o serviço postal norte-americano advertiu sobre possíveis atrasos na entrega de correspondências em mais de 30 estados, prateleiras de supermercados ficaram vazias em algumas localidades e painéis no Aeroporto Internacional de Dallas-Fort Worth exibiam voos afetados pela tempestade em 24 de janeiro de 2026.

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