Rio de Janeiro, 28.fev.2026 – Um oficial da missão naval da União Europeia Aspides declarou neste sábado (28) que embarcações na região do Golfo Pérsico têm recebido mensagens em VHF da Guarda Revolucionária do Irã informando que “nenhum navio tem permissão para passar pelo Estreito de Ormuz”. Embora Teerã não tenha confirmado oficialmente a ordem, o comunicado acendeu o alerta sobre possível interrupção de tráfego na principal rota marítima do petróleo mundial.
Localizado entre Omã e Irã, o estreito conecta o Golfo Pérsico ao norte com o Golfo de Omã e o Mar Arábico ao sul. Em seu ponto mais apertado tem 33 km de largura, mas a faixa de navegação conta com apenas 3 km em cada sentido.
Cerca de um quinto do petróleo consumido no planeta cruza diariamente o estreito. Em 2025, mais de 20 milhões de barris por dia de petróleo bruto, condensado e combustíveis transitaram pela passagem, segundo a consultoria Vortexa.
Exportações de membros da Opep – Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque – dependem majoritariamente dessa rota. O Catar, um dos maiores fornecedores de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, também escoa quase todo o seu volume pelo local.
Para reduzir riscos, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos vêm elevando embarques por oleodutos internos. A Administração de Informação Energética dos EUA estima capacidade ociosa de 2,6 milhões de barris por dia nessas alternativas terrestres.
Imagem: Frank Ramspott via valorinveste.globo.com
A Quinta Frota dos Estados Unidos, baseada no Bahrein, mantém patrulhas permanentes para proteger a navegação comercial na área.
• 1973 – Produtores árabes, liderados pela Arábia Saudita, impuseram embargo de petróleo a países que apoiaram Israel na guerra com o Egito.
• 1980-1988 – Durante a Guerra Irã-Iraque, ambos os lados atacaram navios petroleiros na chamada “Guerra dos Petroleiros”.
• Janeiro de 2012 – Irã ameaçou fechar o estreito em resposta a sanções dos Estados Unidos e da União Europeia.
• Maio de 2019 – Quatro embarcações, incluindo dois petroleiros sauditas, foram atingidas na costa dos Emirados Árabes Unidos, fora do estreito.
• 2023 e 2024 – Três navios foram apreendidos pelo Irã nas proximidades do Estreito de Ormuz, alguns após retenções de petroleiros ligados a Teerã pelos EUA.
• 2025 – Autoridades iranianas voltaram a mencionar possível bloqueio após ataques dos EUA a instalações nucleares.
Com o acirramento do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, analistas alertam que um bloqueio prolongado poderia impulsionar fortemente os preços do barril no mercado internacional.