Tensões com EUA e julgamento de Bolsonaro elevam risco para o Brasil, diz ARX

Estratégias de investimento19 horas atrás8 pontos de vista

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São Paulo – A ARX Investimentos avalia que o ambiente institucional brasileiro tende a se deteriorar e que o prêmio de risco do país pode subir, caso avancem as tensões comerciais com os Estados Unidos e se confirme a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).

A análise foi apresentada pelo economista-chefe da gestora, Gabriel Barros, durante participação no podcast Stock Pickers, conduzido por Lucas Collazo.

Postura considerada “intransigente”

Barros afirmou que, enquanto outros governos buscam soluções pragmáticas em negociações com Washington, o Brasil mantém posição que classificou como “ideológica”. Segundo ele, a combinação de cobrança sobre Big Techs e debates sobre soberania digital – tema que chegou a ser defendido publicamente por ministro do STF em rede social – ajuda a ampliar a percepção de risco.

“A expectativa é de piora antes de qualquer melhora”, disse o economista, ao projetar consequências cambiais e nos fluxos de investimento.

Impacto da Lei Magnitsky

A possibilidade de aplicação de sanções norte-americanas, dentro do escopo da Lei Magnitsky, ganhou peso na avaliação da ARX. Para Barros, tarifas já impostas ao aço brasileiro podem evoluir para punições setoriais mais amplas ou até um embargo comercial, cenário que pressionaria a balança de pagamentos.

Hoje, mais de 25% do investimento estrangeiro direto que chega ao Brasil tem origem nos Estados Unidos. “Qualquer restrição nesse canal pode afetar significativamente nosso equilíbrio externo”, alertou.

Julgamento de Bolsonaro visto como gatilho

Outro fator apontado é o julgamento de Jair Bolsonaro no STF. Caso haja condenação, Barros acredita que os EUA possam intensificar medidas punitivas, ampliando a turbulência comercial e financeira.

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Imagem: infomoney.com.br

Efeito sobre o câmbio

Na frente cambial, a ARX projeta depreciação do real frente ao dólar conforme o risco Brasil aumente. No curto prazo, o diferencial de juros ainda sustenta a moeda doméstica, pois investidores estrangeiros ingressam recursos para aproveitar as taxas locais. Entretanto, Barros considera esse movimento temporário e vê possibilidade de reversão nas próximas semanas ou meses.

“O gatilho para a mudança pode ser justamente a decisão do STF”, afirmou, acrescentando que o país também se beneficia, por ora, de um dólar globalmente mais fraco – outro fator considerado conjuntural.

Barros lembrou precedentes internacionais em que bancos estrangeiros sofreram multas bilionárias por violar sanções norte-americanas, sugerindo que eventual tentativa de contornar penalidades traria efeitos severos para empresas brasileiras.

Para a ARX, portanto, o cenário de risco tende a se intensificar enquanto Brasília mantiver postura dura nas negociações e à medida que avançarem processos judiciais de grande repercussão política.

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