Terminal da Cargill em Santarém continua fechado após quase um mês de ocupação indígena

Mercado Financeiro5 horas atrás11 Visualizações

O terminal portuário fluvial da Cargill em Santarém, no Pará, permanece sem operar na manhã desta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, devido à ocupação de indígenas que protestam contra o projeto federal de hidrovias na Amazônia.

Os manifestantes entraram na área da empresa em 22 de janeiro para se posicionar contra o plano, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que prevê dragagens nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. Segundo a organização do ato, a mobilização já reuniu cerca de 1.200 pessoas.

Na sexta-feira, 20 de fevereiro, empregados da Cargill foram retirados do terminal privado por segurança, elevando a tensão entre comunidades locais e a companhia norte-americana de grãos.

Pressão também em São Paulo

No mesmo dia, indígenas e integrantes de movimentos sociais realizaram manifestação em frente ao escritório da Cargill na zona sul da capital paulista, em solidariedade às populações do Tapajós.

Relatórios apontam impactos da dragagem

Pareceres da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) classificam como “significativos” os impactos previstos para o rio Tapajós. Entre os possíveis danos estão alteração na qualidade da água, assoreamento, prejuízos à pesca, mudança em rotas de transporte de ribeirinhos e indígenas, risco de insegurança alimentar e interferência nos ciclos de reprodução da tartaruga-da-amazônia em uma das principais áreas de nidificação da espécie.

Batalha judicial

Em 13 de fevereiro, a Justiça Federal atendeu pedido da Cargill e determinou a retirada em 48 horas dos manifestantes das vias de acesso ao complexo portuário. O Ministério Público Federal (MPF) recorreu e suspendeu a decisão, mas, no domingo, 15 de fevereiro, o recurso foi anulado, restabelecendo a ordem de desocupação.

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Imagem: redir.folha.com.br

Na quinta-feira, 19 de fevereiro, uma nova decisão judicial reiterou o prazo de 48 horas. O MPF contestou novamente, alegando ausência de etapas obrigatórias de mediação e risco à integridade física dos manifestantes.

Promessa de consulta ainda pendente

O projeto de hidrovias foi alvo de críticas durante a COP30, em novembro, em Belém. Na ocasião, as ministras Sônia Guajajara (Povos Indígenas) e Marina Silva (Meio Ambiente) prometeram consultas prévias às comunidades afetadas, o que ainda não ocorreu, segundo os indígenas.

Até o momento, a Cargill não informou previsão para a retomada das atividades no terminal.

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