O Tesouro Nacional prepara para março o lançamento do Tesouro Reserva, título público indexado à Selic e sem marcação a mercado, que poderá ser comprado ou resgatado 24 horas por dia, inclusive fins de semana. A proposta é simples: funcionar como alternativa direta à caderneta de poupança, oferecendo liquidez imediata e previsibilidade de rendimento.
Segundo informações preliminares, o Tesouro Reserva permitirá aportes de valores baixos, liquidação via Pix e variação diária da remuneração, evitando oscilações negativas no extrato do investidor. A operação sem interrupções busca reproduzir a praticidade já conhecida na poupança e nas populares “caixinhas” de bancos e fintechs.
Dados do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) revelam que trilhões de reais continuam estacionados na poupança, apesar do baixo retorno, sobretudo pela facilidade de uso. Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o novo título tem potencial para disputar esse montante, mas não decretará o fim imediato da caderneta. Ele lembra que a poupança conquistou espaço ao longo das décadas pela simplicidade, liquidez e isenção de imposto de renda, mesmo perdendo atratividade em cenários de juros elevados.
Em teoria, um papel atrelado à Selic com rendimento diário tende a superar a poupança, que paga porcentagem fixa inferior ao juro básico. Ainda faltam detalhes, como o percentual exato de remuneração sobre a Selic e eventual isenção de taxa de custódia, hoje aplicada no Tesouro Selic até determinado valor.
Para o planejador financeiro Jeff Patzlaff, a migração faz sentido porque a poupança só rende se o depósito completar 30 dias. Com o Tesouro Reserva, o investidor passa a ganhar proporcionalmente a cada dia. Patzlaff só vê razão para permanecer na poupança em casos de grande dificuldade tecnológica. “Quem já faz Pix estaria apto a usar o novo título”, afirma.
Imagem: Andrey Popov via valorinveste.globo.com
Lima, por outro lado, sugere uma transição gradual. Na avaliação dele, dividir a reserva entre os dois produtos pode ser estratégico para quem possui saldo elevado na poupança e prefere diluir o risco de adaptação.
O Tesouro Nacional ainda não publicou a cartilha oficial do Tesouro Reserva, mas a expectativa do mercado é que o produto amplie a competição por recursos de curto prazo, introduzindo uma alternativa às tradicionais economias guardadas na caderneta.