Brasília – O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), comunicou a colegas que não participará de nenhum julgamento relacionado ao caso Master. A decisão ocorre após a revelação de negócios entre uma empresa da família do magistrado e um fundo controlado pelo grupo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, alvo de investigação da Polícia Federal.
Toffoli informou que repetirá, em todas as futuras análises do processo, a postura adotada na quarta-feira (11), quando se declarou suspeito para deliberar sobre a manutenção da prisão de Vorcaro e sobre um pedido de criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara.
O ministro vinha enfrentando críticas desde novembro, quando assumiu a relatoria do inquérito. A pressão aumentou depois que a imprensa divulgou que um fundo ligado a Vorcaro se tornou sócio de um resort da família de Toffoli no Paraná.
No início de fevereiro, após reunião fechada de mais de duas horas entre os integrantes do Supremo, o magistrado deixou a relatoria. O encontro foi motivado por relatório da PF que mostrou trocas de mensagens envolvendo pagamentos à Maridt, empresa da qual Toffoli é sócio.
Com o afastamento, o processo sobre a prisão de Vorcaro é relatado por André Mendonça, que já votou pela manutenção da detenção. Luiz Fux deve acompanhá-lo. Também compõem o colegiado da Segunda Turma Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques.
Em caso de maioria de três votos, Vorcaro permanece preso, o que, segundo interlocutores do Supremo, reforçaria a possibilidade de acordo de delação. Se houver empate, o réu será beneficiado com prisão domiciliar.
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Ao afirmar suspeição “por motivo de foro íntimo”, Toffoli sustentou que não existe impedimento formal para participar, mas que seu afastamento evita constrangimentos à Corte, que enfrenta questionamentos sobre ligações de membros com o Master.
O magistrado já havia recusado relatar o mandado de segurança que pedia a CPI, temendo acusações de blindagem. A tarefa ficou com o ministro Cristiano Zanin, que negou a instalação da comissão.
Alexandre de Moraes também é citado no caso. Reportagem indicou que Vorcaro enviou mensagens ao ministro no dia da primeira prisão, 17 de novembro de 2025, tentando barrar operação policial. Moraes, que integra a Primeira Turma, não participa do julgamento da prisão e nega ter recebido os recados.
Com a decisão atual, Toffoli deixa claro que se manterá afastado de todos os processos presentes e futuros relacionados ao caso Master.