Toffoli aguarda novas diligências para decidir se mantém investigação sobre o Banco Master no STF

Mercado Financeiro4 dias atrás24 Visualizações

O ministro Dias Toffoli, responsável no Supremo Tribunal Federal (STF) pela investigação sobre a tentativa de venda do Banco Master, aguardará o avanço das apurações para definir se o inquérito permanecerá sob sua relatoria ou se parte dele retornará à primeira instância.

A decisão dependerá de eventuais indícios de envolvimento de autoridades com foro privilegiado, entre elas o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA). O caso chegou ao STF por solicitação da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, depois que um envelope com documentos referentes a um negócio imobiliário ligado ao parlamentar foi encontrado durante busca e apreensão.

Em dezembro, Bacelar divulgou nota afirmando ter participado da criação de um fundo para erguer um empreendimento em Trancoso (BA), sem que a operação avançasse. Vorcaro teria demonstrado interesse em adquirir parte do projeto.

Depoimentos e acareação

Na terça-feira (30.jan), prestaram depoimento à Polícia Federal e a um juiz auxiliar de Toffoli: Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. Vorcaro e Costa também participaram de acareação para esclarecer divergências em seus relatos.

Interlocutores do ministro relatam que ele ficou satisfeito com a etapa cumprida e que caberá à PF realizar novas diligências. Ao determinar a acareação, Toffoli buscava imprimir celeridade ao inquérito, sem aguardar manifestação prévia da Procuradoria-Geral da República (PGR), postura que se repetiu quando assumiu a condução do caso no início de dezembro.

R$ 12,2 bilhões em créditos contestados

A acareação tratou da suposta venda de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes do Banco Master ao BRB. Segundo Paulo Henrique Costa, não houve contradições entre seu depoimento e o de Vorcaro, apenas “percepções distintas”.

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Imagem: redir.folha.com.br

Em seu depoimento, o ex-presidente do BRB afirmou que a instituição ainda precisa recuperar R$ 2,5 bilhões dos R$ 12,5 bilhões aplicados na compra de carteiras de crédito consignado apontadas como fraudulentas. Costa acrescentou que o BRB possui R$ 1,7 bilhão em títulos do governo dos Estados Unidos repassados pelo Master, já em processo de liquidação.

Prisão e soltura de Vorcaro

Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro foi preso em novembro no aeroporto de Guarulhos (SP), quando se preparava para viajar a Dubai. Dias depois, uma juíza do Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou sua soltura, condicionando-o ao uso de tornozeleira eletrônica. A defesa alegou que a viagem havia sido comunicada previamente ao Banco Central.

Concluídas as oitivas de terça-feira, a investigação prossegue enquanto o ministro Dias Toffoli aguarda novos elementos para decidir sobre a competência do STF no caso.

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