O ministro Dias Toffoli, responsável no Supremo Tribunal Federal (STF) pela investigação sobre a tentativa de venda do Banco Master, aguardará o avanço das apurações para definir se o inquérito permanecerá sob sua relatoria ou se parte dele retornará à primeira instância.
A decisão dependerá de eventuais indícios de envolvimento de autoridades com foro privilegiado, entre elas o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA). O caso chegou ao STF por solicitação da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, depois que um envelope com documentos referentes a um negócio imobiliário ligado ao parlamentar foi encontrado durante busca e apreensão.
Em dezembro, Bacelar divulgou nota afirmando ter participado da criação de um fundo para erguer um empreendimento em Trancoso (BA), sem que a operação avançasse. Vorcaro teria demonstrado interesse em adquirir parte do projeto.
Na terça-feira (30.jan), prestaram depoimento à Polícia Federal e a um juiz auxiliar de Toffoli: Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. Vorcaro e Costa também participaram de acareação para esclarecer divergências em seus relatos.
Interlocutores do ministro relatam que ele ficou satisfeito com a etapa cumprida e que caberá à PF realizar novas diligências. Ao determinar a acareação, Toffoli buscava imprimir celeridade ao inquérito, sem aguardar manifestação prévia da Procuradoria-Geral da República (PGR), postura que se repetiu quando assumiu a condução do caso no início de dezembro.
A acareação tratou da suposta venda de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes do Banco Master ao BRB. Segundo Paulo Henrique Costa, não houve contradições entre seu depoimento e o de Vorcaro, apenas “percepções distintas”.
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Em seu depoimento, o ex-presidente do BRB afirmou que a instituição ainda precisa recuperar R$ 2,5 bilhões dos R$ 12,5 bilhões aplicados na compra de carteiras de crédito consignado apontadas como fraudulentas. Costa acrescentou que o BRB possui R$ 1,7 bilhão em títulos do governo dos Estados Unidos repassados pelo Master, já em processo de liquidação.
Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro foi preso em novembro no aeroporto de Guarulhos (SP), quando se preparava para viajar a Dubai. Dias depois, uma juíza do Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou sua soltura, condicionando-o ao uso de tornozeleira eletrônica. A defesa alegou que a viagem havia sido comunicada previamente ao Banco Central.
Concluídas as oitivas de terça-feira, a investigação prossegue enquanto o ministro Dias Toffoli aguarda novos elementos para decidir sobre a competência do STF no caso.