A Totvs afirmou a analistas do BTG Pactual que a inteligência artificial (IA) deve impulsionar novas fontes de receita, longe de representar ameaça estrutural ao seu modelo de negócios. A companhia avalia que o receio de comoditização do software é simplista, pois desconsidera a necessidade de governança, integração, precisão e controle nos ambientes corporativos críticos.
No encontro, a administração destacou que a recente pressão sobre as ações não se justifica. Em 2025, os papéis subiram 60%, sustentados por lucros maiores e expansão de múltiplos. Em 2026, porém, acumulam queda de cerca de 10%, acompanhando a correção global do setor de software diante do temor de disrupção causado pela IA.
Segundo a empresa, o objetivo não é competir com grandes modelos de linguagem nem fornecer infraestrutura de computação, mas criar agentes capazes de automatizar fluxos de trabalho nos sistemas de gestão (ERP). A Totvs estima que o mercado operacional ligado a essas aplicações seja de 15 a 20 vezes superior ao gasto direto com licenças de software.
Um exemplo é a folha de pagamento: além do sistema já ofertado, a companhia vê espaço para atuar em etapas operacionais do processo por meio de IA, reduzindo a dependência de serviços intensivos em mão de obra.
A Totvs lançou o Lynn, base proprietária de IA para aplicações corporativas, desenvolvida para garantir governança, segurança e auditabilidade. O plano prevê investimentos adicionais de cerca de R$ 75 milhões anuais nos próximos quatro anos, totalizando aproximadamente R$ 600 milhões em pesquisa e desenvolvimento capitalizados entre 2026 e 2029.
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Embora a monetização direta dos agentes de IA não deva ser relevante no curto prazo, a companhia espera aumento da demanda por habilitadores de IA, como migração para a nuvem, atualização de sistemas e reorganização de bases de dados e APIs.
A Totvs reiterou que o fechamento da aquisição da Linx é iminente, após aprovação das autoridades antitruste. A empresa considera os portfólios complementares e prevê sinergias, inicialmente com foco na redução de custos.
Para 2026, a administração mantém perspectiva positiva, citando o desempenho sólido da divisão de software de gestão, a resiliência das margens e a expectativa de retomada gradual em unidades como a RD Station, que estaria próxima de um ponto de inflexão em crescimento.