O fluxo de embarcações pelo estreito de Hormuz registrou, na sexta-feira (3), a maior média móvel de sete dias desde o início do conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro.
Dados de rastreamento compilados pela Bloomberg indicam que 13 navios cruzaram a rota estratégica desde a manhã de sexta: dez deixaram o Golfo Pérsico e três entraram a partir do mar aberto.
A movimentação recente inclui navios sem ligações claras com Irã ou China, sinal de que países e armadores têm negociado diretamente com Teerã para garantir passagem segura. Nas últimas 24 horas, os cruzamentos foram liderados por quatro transportadores de GLP, entre eles um com destino à Índia e outros ligados a interesses iranianos.
Desde o início do conflito, o Irã intensificou o controle do estreito, implantou um sistema de pedágio e direcionou a maior parte do tráfego para uma passagem estreita ao norte, entre as ilhas de Larak e Qeshm. Todas as travessias registradas no período recente usaram esse corredor.
Apesar do aumento, o volume segue abaixo do padrão pré-guerra: em condições normais, cerca de 20% do petróleo e do GNL mundial transitam diariamente pelo estreito.
Entre as passagens mais recentes, destacam-se um porta-contêineres francês e um petroleiro de GNL japonês, aparentemente as primeiras embarcações desses tipos a atravessar Hormuz após o início das hostilidades. Ainda não está claro se a liberação resultou de ações diplomáticas formais ou de negociações diretas das companhias de navegação.
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O acompanhamento de navios continua prejudicado por interferências eletrônicas nos sinais e pelo desligamento de transponders AIS em áreas de risco, o que pode levar a revisões posteriores nos números divulgados.
Além dos quatro transportadores de GLP, deixaram o Golfo cinco graneleiros e um petroleiro de derivados desde a manhã de sexta, sendo que três graneleiros e o petroleiro zarparam no sábado. Fora o navio de GLP com destino à Índia, as demais embarcações estão vinculadas a operadores chineses ou iranianos.
No sentido contrário, dois transportadores de GLP e um petroleiro de combustível associados ao Irã ingressaram no Golfo no mesmo intervalo.