Tributação x isenção: simulação aponta quais títulos pagam mais ao investidor em 2026

Mercado Financeiro2 dias atrás21 Visualizações

A escolha entre papéis de renda fixa tributados ou isentos continua a influenciar o ganho real do investidor em 2026. Estudo conduzido por Camilla Dolle, chefe de renda fixa da área de pesquisa econômica da XP, mostra que a diferença de cobrança de Imposto de Renda pode alterar o valor que chega ao bolso, mesmo com a Medida Provisória 1303 — que propunha alíquota única de 18% a partir de 1º de janeiro de 2026 — já fora da pauta desde 2025.

Como comparar os rendimentos

Dolle utiliza o chamado gross-up, cálculo que aplica um imposto hipotético aos títulos isentos para igualá-los aos papéis tributados. Com esse ajuste, uma LCA remunerada a 100% do CDI torna-se equivalente a um CDB que pague 111% do CDI, exemplifica a analista.

Quais produtos são tributados e quais são isentos

Isentos de IR para pessoa física

  • LCI (Letra de Crédito Imobiliário)
  • LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)
  • CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários)
  • CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio)
  • Debêntures incentivadas

Sujeitos a IR regressivo

  • CDB (Certificado de Depósito Bancário)
  • Títulos do Tesouro Direto (Selic, IPCA+, prefixado)
  • Debêntures comuns

Simulação com Selic a 15% ao ano

A XP projetou quanto R$ 10 000 renderiam em diferentes prazos, considerando Selic e CDI de 15% ao ano, CDB a 102% do CDI e LCI/LCA a 88,3% do CDI (valor que iguala o retorno líquido dos dois produtos). Veja os resultados:

PrazoPoupançaTesouro Selic 2031CDB 102% CDILCI/LCA
3 mesesR$ 10 171,29R$ 10 255,77R$ 10 265,55
1 anoR$ 10 702,99R$ 11 207,80R$ 11 238,00R$ 11 298,94
2 anosR$ 11 455,39R$ 12 699,82R$ 12 761,40R$ 12 785,51
3 anosR$ 12 260,69R$ 14 360,73R$ 14 458,57R$ 14 453,48
4 anosR$ 13 122,60R$ 16 262,91R$ 16 403,15R$ 16 331,03
5 anosR$ 14 045,10R$ 18 477,81R$ 18 668,42R$ 18 479,65

Impostos e prazos afetam o resultado

Nos CDBs, o IR segue tabela regressiva: começa em 22,5% para aplicações até seis meses e cai para 15% em períodos superiores a dois anos. Resgates antes de 30 dias sofrem ainda IOF, reduzindo o ganho. LCIs e LCAs, embora isentas, exigem permanência mínima de 180 dias, o que as afasta de objetivos de curtíssimo prazo.

Para liquidez diária, Dolle aponta o Tesouro Selic como opção mais eficiente. Já papéis isentos de crédito privado — CRI, CRA e debêntures incentivadas — exigem análise detalhada do emissor, do prazo e do risco de crédito, porque não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O FGC protege investimentos emitidos por bancos, como LCI, LCA, CDB e poupança, até R$ 250 000 por CPF e por instituição. Tesouro Direto e títulos de securitizadoras ou empresas não têm essa garantia.

Segundo Dolle, o início de 2026 é propício para quem deseja revisar a carteira, equilibrando rentabilidade nominal e eficiência fiscal em um ambiente de juros elevados.

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