Dallas, 10 de fevereiro – O comando da American Airlines enfrenta uma rara contestação pública de seus funcionários. Nesta segunda-feira (10), a Association of Professional Flight Attendants (APFA), que representa mais de 28 mil comissários de bordo, aprovou por unanimidade um voto de desconfiança contra o diretor-executivo Robert Isom – o primeiro da história da entidade dirigido a um CEO da companhia.
Em comunicado, a APFA afirmou que “decisões de gestão” deixaram a empresa “perigosamente atrás” de concorrentes e exigiu mudanças na liderança, maior responsabilidade e melhor apoio operacional. A presidente do sindicato, Julie Hedrick, declarou que “lucros pífios” e “falhas operacionais” – citando relatos de funcionários dormindo no chão durante interrupções de voo – demonstram que “esse nível de fracasso começa no topo”.
De acordo com a CNBC, a American Airlines registrou lucro de US$ 111 milhões no ano passado, enquanto a Delta Air Lines atingiu US$ 5 bilhões e a United Airlines superou US$ 3,3 bilhões, mesmo operando capacidade semelhante em 2025.
Procurada, a empresa encaminhou trechos da teleconferência de resultados de 27 de janeiro, na qual Isom destacou quatro frentes para destravar o potencial de receitas: “experiência consistente e elevada ao cliente, maximização da rede e da frota, parcerias que ampliem fidelidade e avanço em vendas, distribuição e gestão de receita”. Segundo o executivo, “2026 será o ano em que esses esforços começarão a dar frutos”.
A Allied Pilots Association (APA), que representa mais de 16 mil pilotos, divulgou carta de 6 de fevereiro ao conselho de administração da American Airlines solicitando reunião formal para discutir as decisões de liderança. O porta-voz da APA, capitão Dennis Tajer, disse compreender “a profunda frustração” dos comissários e acrescentou que os pilotos partilham preocupações semelhantes.
No documento, a APA afirma que a companhia “segue um caminho de desempenho abaixo do esperado” e não apresenta estratégia clara para reduzir a distância em relação às rivais Delta e United. O sindicato critica “padrões persistentes de falhas operacionais, culturais e estratégicas” e a prática de “copiar iniciativas da concorrência” em vez de adotar um plano próprio.
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A APA alega ainda que a administração exalta “eficiência” sem conseguir “monetizar plenamente os ativos sob sua responsabilidade” e aponta falta de avanços mensuráveis, apesar de alertas apresentados há mais de um ano. Até o momento, os pilotos não receberam resposta do conselho e avaliam “todas as opções disponíveis”, embora priorizem o diálogo.
Entre os motivos listados pela APFA para o voto de desconfiança estão competitividade em declínio, remuneração executiva considerada excessiva diante dos prejuízos, estratégia de vendas mal executada que teria impactado rankings do setor e instabilidade operacional crescente.
Com duas das maiores categorias profissionais da empresa manifestando insatisfação, o embate interno aumenta a pressão sobre Robert Isom e o alto escalão da American Airlines.