Palm Beach (EUA) – O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (data não informada) que empresas de energia norte-americanas retornarão à Venezuela para reconstruir a indústria de petróleo do país, horas depois da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças norte-americanas.
Em entrevista coletiva no resort Mar-a-Lago, em Palm Beach, Trump acusou o governo socialista de Caracas de ter confiscado ativos dos EUA e destruído um setor desenvolvido com capital e know-how norte-americano. “Nós construímos a indústria de petróleo da Venezuela com talento, empenho e habilidade dos Estados Unidos, e o regime socialista a roubou de nós”, declarou. “Eles tomaram todas as nossas propriedades.”
Segundo Trump, grandes companhias petrolíferas dos EUA serão convidadas a “gastar bilhões de dólares” para reparar a infraestrutura “seriamente danificada” e retomar a produção. O objetivo, disse, é “fazer o país voltar a ganhar dinheiro”.
Até o início dos anos 2000, grupos ocidentais concentravam investimentos significativos na faixa petrolífera do Orinoco. A campanha de nacionalização iniciada pelo então presidente Hugo Chávez, antecessor de Maduro, reduziu drasticamente a presença estrangeira. Maduro, que alega ter sido reeleito para mais um mandato de seis anos em 2024, é acusado por Washington e por observadores internacionais de fraudar o pleito, vencido pelo opositor Edmundo González.
A Chevron é hoje a única petroleira norte-americana ainda operando no país, como sócia minoritária de empreendimentos comandados pela estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA). Em nota enviada à imprensa, a empresa informou que mantém foco na segurança de seus funcionários e na integridade de seus ativos, ressaltando que trabalha “em total conformidade com as leis e regulações vigentes”.
A presença da companhia, que atua na Venezuela há cerca de um século, vem sendo condicionada por sanções econômicas dos EUA e por licenças temporárias concedidas pelo Departamento do Tesouro, que limitam produção e exportação.
Imagem: Amanda Macias FOXBusiness via foxbusiness.com
Com aproximadamente 300 bilhões de barris de reservas provadas — cerca de 20 % do total global e quase quatro vezes o volume norte-americano —, a Venezuela detém a maior reserva conhecida de petróleo. Mesmo assim, crises econômicas, instabilidade política e infraestrutura degradada impedem a conversão desse potencial em produção sustentada, cenário semelhante ao de países como Irã e Líbia.
Questionado sobre o interesse de nações como Irã, Rússia e China no petróleo venezuelano, Trump respondeu que os Estados Unidos pretendem vender o cru da Venezuela “a diversos países”.
Enquanto a Casa Branca analisa os próximos passos, especialistas apontam que a retomada plena da produção exigirá investimentos de longo prazo e ambiente político estável.