Washington, – O presidente Donald Trump propôs, nesta quarta-feira, elevar o orçamento de defesa dos Estados Unidos para US$ 1,5 trilhão no ano fiscal de 2027, valor 50% superior ao plano anterior de US$ 1 trilhão.
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que a diferença de US$ 500 bilhões seria financiada com receitas oriundas de tarifas de importação, que também bancariam outras iniciativas, como um “dividendo tarifário”. Segundo ele, o incremento permitiria criar o que chamou de “Exército dos sonhos”, capaz de manter o país “seguro, independentemente do inimigo”.
A Committee for a Responsible Federal Budget (CRFB), organização apartidária que monitora as contas públicas, calculou que o aumento anual de US$ 500 bilhões praticamente duplicaria a arrecadação projetada com tarifas e elevaria a dívida pública em US$ 5,8 trilhões na próxima década.
O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) prevê que as tarifas tragam US$ 2,5 trilhões em receita até 2035 — ou US$ 3 trilhões quando considerados os juros. A CRFB ressalta que esse número tende a ser menor quando se levam em conta os efeitos econômicos negativos das tarifas.
Grande parte dos tributos foi instituída com base na International Emergency Economic Powers Act (IEEPA). O Supremo Tribunal dos EUA deve decidir em breve sobre a legalidade dessas taxas. Se forem anuladas, a arrecadação cairá cerca de US$ 700 bilhões até 2035, cobrindo apenas 15% do custo do plano de Trump, segundo a CRFB.
Em nota, a entidade argumentou que, após os US$ 175 bilhões já aprovados para a defesa na lei One Big Beautiful Bill Act, “há pouca justificativa para um aumento imediato”. O órgão defendeu que qualquer novo acréscimo seja totalmente compensado por novas receitas ou cortes de gastos, “preferencialmente em dobro”, devido ao nível elevado da dívida.
Imagem: Eric Revell FOXBusiness via foxbusiness.com
O Congresso analisará os valores para o ano fiscal de 2027 ao longo deste ano. O exercício começa em 1º de outubro, mas parlamentares e Casa Branca costumam recorrer a continuing resolutions para evitar paralisações do governo.
Após um impasse de 43 dias que resultou no mais longo shutdown da história, foram aprovadas autorizações temporárias em novembro, estendendo o financiamento de grande parte do governo até 30 de janeiro de 2026. Três dos 12 projetos de lei de gastos discricionários para 2026 já foram aprovados integralmente, mas os recursos de defesa seguem sob resolução temporária até a mesma data.
No pregão mais recente, papéis de grandes contratadas do Pentágono reagiram positivamente: Lockheed Martin subiu 3,58%, RTX avançou 0,09%, Northrop Grumman ganhou 2,54% e General Dynamics teve alta de 2,11%.
O debate sobre o orçamento de defesa e suas fontes de financiamento seguirá no centro das discussões entre Casa Branca, Congresso e órgãos de controle fiscal nos próximos meses.