O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou no sábado (3) que empresas americanas irão liderar a exploração de petróleo na Venezuela, horas depois da captura do ditador Nicolás Maduro e de bombardeios a Caracas. O país sul-americano concentra a maior reserva comprovada de petróleo do planeta, estimada em 225 bilhões de barris na Bacia do Orinoco.
Apesar do potencial, a produção venezuelana despencou nos últimos 20 anos. Hoje o país ocupa a 20ª posição no ranking global, com média de 700 mil barris por dia, cerca de 1% da oferta mundial. A pressão de sanções americanas já havia obrigado o fechamento de poços, reduzindo ainda mais o volume extraído.
Segundo Peter McNally, chefe global de analistas da Third Bridge, “serão necessários dezenas de bilhões de dólares e até uma década” para reestruturar a indústria local. Atualmente, apenas a Chevron opera no país sob licença especial.
Analistas avaliam que a produção global excedente — estimada em 3,8 milhões de barris por dia em 2026 — pode amortecer oscilações de preço. O barril do petróleo bruto vinha sendo negociado em torno de US$ 60 (cerca de R$ 326). Para Arne Lohman Rasmussen, da A/S Global Risk Management, a cotação do Brent deve subir “US$ 1 ou US$ 2, ou até menos” na abertura dos mercados na noite de domingo.
O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy, prevê impactos além do preço do óleo. Ele afirma que fretes marítimos e seguros tendem a encarecer, já que navios que cruzam o mar do Caribe — rota usada por exportadores brasileiros de pré-sal e por importadores de derivados americanos — podem ser obrigados a desviar da costa venezuelana.
Ardenghy lembra que a Venezuela, embora produza pouco, é apoiada por Irã e Rússia, além de exportar volumes significativos para a China e integrar a Opep. “O mercado de petróleo é avesso a insegurança e risco”, disse.
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Atualmente, os Estados Unidos extraem cerca de 13 milhões de barris por dia, a Arábia Saudita, 12 milhões, e o Brasil, 5 milhões. “O Brasil está em situação energética confortável: é autossuficiente e exportador”, afirmou Ardenghy, contrastando com a Índia, que importa 80% do que consome.
Apesar do cenário, o executivo projeta ganhos nas ações de companhias petrolíferas, dependendo dos desdobramentos na Venezuela.
A Opep+ deve se reunir neste domingo. Delegados ouvidos pela Bloomberg sinalizam manutenção das pausas de produção para conter excedentes.