Uso do carro diminui nos EUA, mas novas moradias seguem concentradas em regiões dependentes de automóvel

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Washington, 12 jun (Fictício) — O volume de quilômetros percorridos por norte-americanos vem caindo, mas a maior parte das construções residenciais continua surgindo em locais onde o carro é indispensável, aponta relatório do portal imobiliário Realtor.com.

Dados da Administração Federal de Rodovias revelam que a quilometragem rodada por habitante recuou 2,3% desde 2019 e praticamente 5% em comparação com o início dos anos 2000, sinalizando menor dependência do automóvel.

Oferta segue o caminho contrário

Mesmo com a mudança de comportamento, as incorporadoras seguem priorizando áreas afastadas do transporte coletivo. Entre 2000 e 2019, regiões urbanas com estações de trem ou metrô adicionaram 2 milhões de unidades habitacionais, enquanto zonas sem esses modais receberam 17,6 milhões, destaca o estudo.

Levantamento abrangente do Urban Institute mostra que, nas últimas duas décadas, foram erguidas quase nove vezes mais moradias longe de estações do que nas proximidades delas.

Evolução histórica

O mesmo instituto analisou o ritmo de crescimento de bairros servidos por estações inauguradas em diferentes períodos:

Uso do carro diminui nos EUA, mas novas moradias seguem concentradas em regiões dependentes de automóvel - Imagem do artigo original

Imagem: Daniella Genovese FOXBusiness via foxbusiness.com

  • Décadas de 1960, 1970 e 1980: crescimento habitacional abaixo do restante das cidades nos 10 ou 20 anos seguintes à abertura das estações.
  • Estações abertas entre 2000 e 2009: crescimento até 2019 oito pontos percentuais superior ao de áreas comparáveis sem acesso a transporte sobre trilhos.

Desafio para o desenvolvimento orientado ao transporte

O relatório lembra que o conceito de transit-oriented development — planejamento urbano que privilegia moradias e comércios próximos a linhas de transporte coletivo — tende a fortalecer economias locais ao aumentar o fluxo de pedestres. Contudo, o ritmo de construção junto a estações ainda não acompanha a demanda populacional, mesmo com maior atenção de políticas públicas e aportes financeiros recentes.

Enquanto essa discrepância persistir, a oferta habitacional continuará majoritariamente em bairros onde o carro segue essencial, contrariando a tendência de redução do uso do automóvel verificada nos Estados Unidos.

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