O Ministério da Agricultura projeta queda de 3,6% no Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária de 2026, mesmo com a expectativa de safra recorde de grãos. O índice deve recuar para US$ 1,37 trilhão, enquanto a colheita total deve alcançar 353 milhões de toneladas, avanço de 0,3% sobre 2025, segundo estimativa da Conab.
O VBP resulta da combinação de volume produzido e preços recebidos pelo produtor. Para este ano, a retração é atribuída principalmente à queda das cotações de gêneros agrícolas e pecuários.
Entre as lavouras, que abrangem 16 produtos analisados, o valor de produção deve somar R$ 895 bilhões, 4% abaixo do recorde de R$ 932 bilhões registrado em 2025, considerando valores deflacionados pelo IGP-DI. Na pecuária, a receita estimada é de R$ 475 bilhões, recuo de 3% na mesma comparação.
A principal safra de milho do país, a de inverno, ainda será plantada. O setor de proteínas, maior consumidor do cereal, pode enfrentar demanda externa menor devido a restrições a produtos brasileiros e à concorrência de outros exportadores. Já a indústria de etanol mantém procura firme, ajudando a sustentar preços.
No caso da soja, a produção nacional deve bater novo recorde, próxima de 178 milhões de toneladas, contribuindo para o recorde global de 428 milhões de toneladas. Com oferta elevada no Brasil, Argentina e safra norte-americana já armazenada, o espaço para reação de preços é considerado limitado.
Depois de crescer 46% em 2025, o VBP do café avança apenas 1,3% em 2026. O arábica sobe 9%, enquanto o conilon cai 19% por maior produção brasileira e recomposição da oferta vietnamita.
Entre as maiores altas, destacam-se:
Imagem: redir.folha.com.br
As maiores quedas são:
A carne bovina é apontada como principal incerteza no segmento animal. A cota de importação de 1,1 milhão de toneladas criada pela China, maior cliente do Brasil, pode alterar preços a partir do segundo semestre. Ultrapassado o limite, o produto brasileiro pagará tarifa adicional de 55%, somando sobrepreço de 67% (12% já existentes mais 55% extras), reduzindo a competitividade no mercado chinês.
O país precisará realocar cerca de 600 mil toneladas de carne fora da cota — volume que antes seguiria para a China. Em 2025, os chineses compraram 1,7 milhão de toneladas. Sem abertura de novos destinos ou ampliação dos atuais, a oferta excedente tende a pressionar o mercado interno.
No ranking do VBP por unidades da federação, o Mato Grosso aparece na frente com R$ 199 bilhões, seguido por Minas Gerais (R$ 166 bilhões), São Paulo (R$ 154 bilhões) e Paraná (R$ 151 bilhões).
Entre as regiões, o Centro-Oeste lidera com R$ 400 bilhões, à frente do Sudeste (R$ 358 bilhões) e do Sul (R$ 312 bilhões).