Um vídeo da coluna Econometria Fácil, editado e apresentado pelo economista Victor Rangel, descreve quatro mecanismos pelos quais o recém-concluído tratado comercial entre Mercosul e União Europeia pode aumentar a produtividade da economia brasileira.
Rangel ressalta que a literatura econômica identifica os seguintes canais de transmissão:
1. Tarifas sobre insumos e máquinas – A redução de alíquotas de importação barateia bens intermediários e equipamentos, elevando o retorno de modernizar processos e incorporar novas tecnologias.
2. Fronteira, tempo e logística – Menos tempo parado nos despachos e menor incerteza alfandegária diminuem o capital imobilizado e o custo por unidade produzida.
3. Regulamentação, padrões técnicos e sanitários – Harmonização de normas (TBT/SPS) corta retrabalho em certificações, reduz custos fixos para exportar e facilita ganhos de escala.
4. Competitividade – A maior concorrência provocada pela abertura comercial força empresas a se reorganizar, deslocando mercado para quem produz com maior eficiência.
Imagem: redir.folha.com.br
Segundo o apresentador, estudos sobre a liberalização comercial brasileira dos anos 1990 mostram resultados consistentes com esses mecanismos, principalmente no uso de insumos importados de maior tecnologia e nos efeitos da concorrência. Entre as referências citadas estão pesquisas de Amiti e Konings (2007), Hummels e Schaur (2013), Fontagné e colaboradores (2015), Melitz (2003), Lisboa, Menezes-Filho e Schor (2010) e Ferreira e Rossi (2003).
Rangel conclui que, ao reduzir custos, agilizar fronteiras, simplificar normas e intensificar a competição, o acordo Mercosul-União Europeia tem potencial para elevar a produtividade brasileira, replicando padrões observados em outras liberalizações comerciais.
O vídeo completo está disponível na coluna Econometria Fácil, exclusiva para assinantes.