Vision Pro tem vendas modestas e uso limitado, mas mostra estratégia de risco da Apple, aponta colunista

Mercado Financeiro1 mês atrás59 Visualizações

O headset Vision Pro, primeiro produto de realidade aumentada da Apple, soma vendas discretas desde que chegou às lojas em fevereiro de 2024 por US$ 3.500 (cerca de R$ 18,6 mil, sem impostos). Apesar do preço elevado, do peso considerado alto e da bateria de curta duração, o dispositivo foi descrito pela revista PCMag como “um salto geracional” em interfaces de realidade mista, graças à combinação de rastreamento ocular, comandos por gestos e telas de alta resolução.

Em artigo publicado pela Bloomberg, o professor da Escola de Administração de Yale Gautam Mukunda afirma que o desempenho comercial abaixo do esperado não significa necessariamente um fracasso para a empresa. Segundo ele, o investimento bilionário por trás do Vision Pro indica que a Apple continua disposta a apostar em tecnologias capazes de gerar um novo produto de massa, estratégia que já guiou lançamentos como o iPod (2001) e o iPhone (2007).

Limitações atuais

O Vision Pro foi concebido para funcionar por poucas horas consecutivas e não se destina ao uso diário prolongado. Além da autonomia restrita, o aparelho isola o usuário do ambiente e oferece casos de uso limitados — o mais comum é o consumo de mídia, mas serviços populares, como a Netflix, ainda não dispõem de aplicativo dedicado.

A combinação de alto custo e utilidade reduzida levou parte dos compradores a devolver o produto. Diante das vendas modestas, a Apple lançou apenas uma versão levemente atualizada e, por ora, sustou planos de revisões mais profundas, de acordo com o colunista.

Aposta de longo prazo

Mukunda compara o gasto com o Vision Pro ao mínimo de US$ 150 milhões investidos para viabilizar o primeiro iPhone, valor considerado elevado para a Apple à época. Hoje, com lucros substanciais, a companhia pode assumir riscos sem comprometer sua saúde financeira. O autor lembra que:

Vision Pro tem vendas modestas e uso limitado, mas mostra estratégia de risco da Apple, aponta colunista - Imagem do artigo original

Imagem: redir.folha.com.br

  • o segmento de serviços da Apple fatura mais do que toda a rede varejista Target;
  • a linha iPad gera receita similar à da fabricante de chips AMD;
  • o iPhone movimenta mais dinheiro do que o Bank of America.

Para Mukunda, iniciativas como o Vision Pro permitem à empresa desenvolver tecnologias que poderão ser aproveitadas em versões futuras e compreender melhor a demanda por fatores como ergonomia e preço. A disposição para interromper projetos que não atendem às expectativas, acrescenta, demonstra que a Apple não se apega a produtos específicos e mantém o foco em inovações com potencial de alcance global.

O Vision Pro segue à venda nos Estados Unidos; não há previsão de lançamento no Brasil.

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