Um vídeo divulgado nas redes sociais no sábado, 28 de fevereiro de 2026, mostra manifestantes ocupando uma rua de Karaj, na província de Alborz, após o ataque realizado por Estados Unidos e Israel. Entre os automóveis que circulam no local aparece um Volkswagen Gol de terceira geração, idêntico ao hatch vendido no Brasil a partir de 1999 e reestilizado para a linha 2003.
A presença do compacto brasileiro no Irã remonta a fevereiro de 2005, quando a Volkswagen iniciou a montagem do modelo no regime CKD (completely knocked down). Os conjuntos de peças eram embarcados do Brasil para uma linha de produção instalada nos arredores de Bam, a cerca de 1.300 km de Teerã.
Componentes cruciais vinham das fábricas da montadora em Taubaté (SP) e São Bernardo do Campo (SP), com participação de fornecedores locais. Antes do início da produção, testes realizados no segundo semestre de 2004 avaliaram o desempenho do veículo em temperaturas abaixo de 0 °C e acima de 40 °C.
Para suportar o clima, o Gol recebeu um radiador adicional e novos plásticos e revestimentos mais adequados ao frio intenso. Todas as unidades exportadas tinham ar-condicionado, direção hidráulica, airbags frontais e vidros elétricos — itens que eram opcionais no mercado brasileiro.
O projeto previa a montagem de 30 mil carros apenas em 2005, impulsionado pelo crescimento do mercado automotivo local. O modelo utilizava motor 1.8 a gasolina, conhecido pela robustez.
Imagem: redir.folha.com.br
As metas, porém, ficaram distantes da realidade. Nos dois primeiros anos, cerca de 5.000 veículos desmontados foram enviados do Brasil ao Irã. O programa iraniano de enriquecimento de urânio, que avançou durante o governo de Mahmoud Ahmadinejad, gerou pressões externas e dificultou a continuidade do negócio.
Em 2010, a linha de montagem iraniana foi encerrada, mas milhares de unidades permanecem em circulação — uma delas registrada no vídeo das manifestações em Karaj.