O ex-banqueiro Daniel Vorcaro desembolsou cerca de R$ 260 milhões, em pagamentos à vista, para adquirir três aeronaves entre 2022 e 2024 — conduta incomum no segmento de aviação executiva, segundo especialistas.
Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que nenhum dos negócios envolveu financiamento:
Profissionais do setor ouvidos pela reportagem afirmam que, para aeronaves desse porte, é habitual recorrer a linhas de crédito ou leasing. Eles apontam que os juros internacionais para jatos executivos costumam variar de 6% a 8% ao ano, porcentual considerado vantajoso em relação ao desembolso integral do valor.
Além disso, companhias que adquirem essas aeronaves preferem registrar o débito em vez de imobilizar recursos significativos, reduzindo o impacto de depreciação nos balanços.
Os três jatos estão registrados em nome da Viking, empresa da qual Vorcaro era sócio majoritário até setembro de 2025, quando vendeu 55% das ações ao FIP Stern, administrado pela Reag. Após a liquidação do banco Master e a prisão do ex-banqueiro em novembro passado, a Justiça determinou o bloqueio das aeronaves.
Imagem: redir.folha.com.br
A assessoria de Vorcaro não esclareceu o motivo das compras à vista. A Icon e a AM não se manifestaram. Já a Timbro informou que adquiriu o Falcon 7X no exterior por encomenda da Viking e recebeu o pagamento integral, prática padrão em operações de importação de aeronaves.
Vorcaro foi libertado 12 dias após a primeira prisão, mas voltou a ser detido neste mês em investigação sobre o banco Master.