Em texto de opinião, o psicanalista Waldemar Magaldi Filho afirma que a ausência de pensamento crítico e a prioridade dada à sobrevivência imediata empurram grande parte da população para um estado de “consciência reativa”, limitando a capacidade de questionamento e de autoconhecimento.
Segundo o autor, essa condição favorece o avanço das chamadas ocupações “uberizadas”, nas quais trabalhadores acreditam possuir liberdade por poder escolher horário e carga de trabalho. Magaldi sustenta que, na prática, esses profissionais se tornam extensões de algoritmos, enfrentam precarização e carregam individualmente responsabilidades que antes eram compartilhadas por empresas e pela sociedade.
Para ele, a “verdadeira autonomia” não é concedida por plataformas digitais, mas construída internamente, a partir do autoconhecimento e da capacidade de refletir sobre a própria existência. O psicanalista defende que o desenvolvimento da “consciência reflexiva” permite questionar crenças, avaliar consequências éticas e evitar polarizações e fanatismos religiosos ou políticos.
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Magaldi alerta que, sem esse processo de reflexão, a população fica suscetível a lideranças tirânicas, promessas de soluções fáceis e formas de exploração que reforçam desigualdades. O autor conclui que somente a ampliação da consciência crítica pode romper o ciclo de dependência e permitir que indivíduos se tornem protagonistas de seu destino e do coletivo.