Os principais índices de Nova York encerraram o pregão desta quarta-feira, 18 de março de 2026, em forte baixa, depois de o Federal Reserve manter a taxa básica americana inalterada pela segunda reunião consecutiva e sinalizar incertezas ligadas ao conflito no Irã.
Dow Jones recuou 1,63%, para 46.225,15 pontos, no menor nível do ano.
S&P 500 perdeu 1,36%, encerrando a 6.624,70 pontos.
Nasdaq caiu 1,46%, fechando em 22.152,42 pontos.
O índice de volatilidade VIX avançou 11,44%, alcançando 24,93 pontos, patamar que sugere aumento moderado da preocupação dos investidores.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) manteve a faixa dos Fed Funds entre 3,50% e 3,75% ao ano, como esperado. A votação não foi unânime: Stephen Miran defendeu corte de 0,25 ponto percentual.
O resumo de projeções mostra previsão de apenas um corte de juros em 2026. A mediana das estimativas para a taxa ao fim do ano permaneceu em 3,4%, indicando intervalo de 3,25% a 3,50% em dezembro.
No comunicado, o Fed afirmou que o impacto dos desdobramentos no Oriente Médio sobre a economia dos Estados Unidos continua incerto.
Imagem: Liliane de Lima via moneytimes.com.br
Em coletiva, o presidente do banco central, Jerome Powell, disse esperar progresso na luta contra a inflação, “ainda que menor do que o previsto”. Ele acrescentou que a possibilidade de elevar os juros foi discutida novamente, embora parte dos dirigentes não considere esse o próximo passo. Segundo Powell, a autoridade monetária pretende manter a política “levemente restritiva”.
Após o anúncio, operadores adiaram a projeção para o início do afrouxamento monetário de setembro para outubro; depois das declarações de Powell, a aposta majoritária passou para dezembro. Perto do fechamento, o mercado atribuía 54% de probabilidade de redução de juros na última reunião de 2026.
O Índice de Preços ao Produtor (PPI) subiu 0,7% em fevereiro, superando a estimativa de 0,3% e o avanço de 0,5% registrado em janeiro. Na comparação anual, o indicador acelerou para 3,4%, ante 2,9% no mês anterior.
O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado no fim de fevereiro, elevou os preços do petróleo em mais de 40%. Economistas projetam que os efeitos inflacionários desse choque começarão a aparecer nos índices de preços ao consumidor e ao produtor a partir de março.
A combinação de política monetária incerta, dados de inflação mais fortes e tensões geopolíticas reforçou o movimento de aversão a risco observado em Wall Street.