Washington – 4.fev.2026 – O Washington Post iniciou nesta quarta-feira (4) um amplo corte de pessoal e anunciou o encerramento das editorias de esportes e literatura, além de redução significativa na cobertura metropolitana e internacional.
O editor-executivo Matt Murray comunicou à redação que todas as áreas serão afetadas. Segundo ele, o jornal passará a priorizar reportagens nacionais, política, negócios e saúde, com “bem menos” espaço para outros temas.
• A seção de esportes será desativada; parte dos repórteres migrará para o departamento de variedades para tratar da cultura esportiva.
• A editoria de literatura deixará de existir.
• O podcast diário “Post Reports” será encerrado.
• A cobertura metropolitana será reduzida.
• A equipe internacional encolherá, mas o Post manterá jornalistas em cerca de uma dúzia de praças no exterior.
Murray afirmou que a empresa registra prejuízos há tempo e “não vem atendendo às necessidades dos leitores”. Ele defendeu que a redação se torne “mais ágil” e busque novas formas de atender ao público.
Imagem: redir.folha.com.br
Os cortes também atingem o departamento comercial, compondo o que Murray descreveu como “reestruturação estratégica ampla com redução significativa de pessoal”.
Proprietário do jornal desde 2013, Jeff Bezos contratou Will Lewis para o cargo de publisher no fim de 2023 com a missão de recuperar a lucratividade e reverter a queda de audiência e assinaturas. Entre as iniciativas de Lewis estão o uso de inteligência artificial para impulsionar comentários de leitores, podcasts e agregação de notícias.
Em reunião com a equipe em 2024, Lewis afirmou que o veículo “está perdendo grandes quantias de dinheiro” e que o público foi “reduzido pela metade nos últimos anos”. No mesmo ano, Bezos declarou em conferência do The New York Times: “Salvamos o Washington Post uma vez e vamos salvá-lo uma segunda vez”.
O Washington Post não é o único veículo em dificuldades. Redações de todo o mundo enfrentam queda contínua da circulação impressa, fragmentação do público nas redes sociais e impacto da inteligência artificial sobre o tráfego digital, levando empresas a buscar receitas alternativas como eventos e assinaturas premium.
As demissões e o redesenho editorial no Post ocorrem sob esse pano de fundo de desafios financeiros persistentes no mercado de mídia.