O avanço das tensões geopolíticas e as recentes mudanças na política externa dos Estados Unidos vêm elevando a oscilação dos mercados internacionais, estimulando investidores a buscar maior diversificação. Em relatório divulgado nesta semana, a XP destaca que os fundos imobiliários (FIIs) podem funcionar como instrumento de proteção, graças à baixa correlação histórica com os ativos globais.
Segundo a análise, a correlação do índice IFIX com a renda variável mundial gira em torno de 12%, enquanto a relação com a renda fixa global fica perto de 4%. Quando períodos de estresse extremo, como a pandemia, são excluídos, esses percentuais recuam ainda mais, reforçando o caráter descorrelacionado dos FIIs.
A XP observa que o cenário atual provoca uma rotação de recursos para ativos menos ligados ao mercado norte-americano. Nesse movimento, o Brasil aparece entre os principais destinos, recebendo fluxo estrangeiro e valorização de ativos locais, embora o ambiente continue sujeito a reversões.
Os FIIs são lastreados em imóveis físicos e operações de crédito imobiliário, com receitas geralmente indexadas à inflação ou a taxas domésticas como o CDI. Fatores como ocupação, preços de aluguel e dinâmica setorial dependem majoritariamente do contexto interno, o que reduz a sensibilidade da classe a choques externos e contribui para preservar o poder de compra no longo prazo.
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A corretora ressalta que combinar diferentes classes de ativos ainda é uma das principais formas de proteção em ambientes de incerteza. Dentro dos FIIs, contudo, a XP aconselha uma seleção cuidadosa, priorizando qualidade dos imóveis, fundamentos sólidos e experiência da gestão.
Projeções de mercado indicam expansão do segmento: o Santander estima a entrada de mais de 400 mil novos investidores em fundos imobiliários até 2026. Além disso, dados recentes apontam queda de vacância e aumento dos aluguéis nos setores de logística e escritórios no primeiro trimestre.