XP vê risco de “imposto inflacionário” e enumera três perigos de investir apenas em CDI

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Em relatório recente, a XP Investimentos alertou que o crescimento da dívida pública e dos déficits nas principais economias aumenta a probabilidade de governos recorrerem à chamada repressão financeira, estratégia que mantém os juros artificialmente baixos e permite que a inflação reduza o valor real das dívidas. Para o investidor concentrado em aplicações atreladas ao CDI, esse movimento pode resultar em perda silenciosa de poder de compra, configurando um “imposto inflacionário”.

Segundo a equipe de alocação liderada pelo CIO Artur Wichmann, o cenário global — sobretudo nos Estados Unidos — sugere a manutenção de juros reais baixos ou negativos por um período prolongado. Embora o CDI ofereça retorno nominal atrativo no momento, a XP adverte que a rentabilidade pode não ser suficiente para preservar o patrimônio no longo prazo.

Três riscos de apostar tudo na renda fixa pós-fixada

A XP elenca três principais ameaças para quem concentra a carteira em pós-fixados:

1. Diferença entre ganho nominal e real
Ambientes de dívida elevada tendem a conviver com inflação mais alta. Após descontar impostos e inflação, a rentabilidade real pode ser corroída.

2. Risco de ciclo
Quando o Banco Central inicia cortes de juros, o CDI recua. Investidores que demoram a diversificar perdem oportunidades em outras classes de ativos com potencial de retorno real superior.

3. Concentração
Carteiras baseadas apenas em pós-fixados ficam menos robustas, contam com menos fontes de retorno e carecem de exposição internacional.

Ativos reais como proteção

Diante da perspectiva de juros reais baixíssimos, a XP sugere incluir ativos reais — como imóveis, infraestrutura e ouro — para defender o patrimônio contra a perda de poder de compra. A casa reconhece que esses instrumentos costumam apresentar maior volatilidade, mas reforça que podem equilibrar o portfólio em contextos inflacionários.

O CDI permanece relevante como componente defensivo, oferecendo liquidez e ajudando a reduzir volatilidade. Ainda assim, a corretora reafirma que a chave é diversificar de forma genuína, combinando ativos brasileiros e internacionais, pós-fixados, inflação, prefixados, além de ativos reais e fontes de crescimento.

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