Zuckerberg reconhece ter mantido filtros de beleza no Instagram apesar de alerta de especialistas

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LOS ANGELES (18.fev.2026) – O presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, admitiu em depoimento a um tribunal de Los Angeles que desconsiderou recomendações de 18 especialistas contratados pela companhia e manteve no ar os filtros de beleza do Instagram, mesmo após alertas sobre possíveis danos ao bem-estar de adolescentes.

Chamado a testemunhar em processo que alega que redes sociais são deliberadamente viciantes para crianças, o executivo afirmou ter priorizado a “liberdade de expressão” ao decidir restabelecer, em 2019, os recursos que alteram digitalmente a aparência dos usuários. Segundo ele, seria “paternalista” restringir o uso dos filtros sem comprovação “em alto nível” de prejuízos.

Processo pode abrir precedente

O caso em julgamento é o primeiro de uma série de nove ações de danos pessoais contra grandes plataformas tecnológicas. A autora, identificada como KGM, de 20 anos, afirma ter desenvolvido ansiedade e depressão após se tornar dependente do Instagram e do YouTube na infância. Google, Meta, Snap e TikTok são citados; os dois últimos fecharam acordo antes do início do júri.

Se a decisão for desfavorável às empresas, especialistas veem possibilidade de efeito cascata, comparando a disputa às ações contra a indústria do tabaco na década de 1990.

Documentos internos

Arquivos apresentados ao tribunal indicam que a Meta tinha conhecimento de que os filtros poderiam estimular dismorfia corporal e outros transtornos em jovens. Mensagens de funcionários descrevem o Instagram como “uma droga”, eum ex-executivo de segurança relatou política que permitia até 16 violações envolvendo exploração sexual antes da suspensão de contas.

Tempo de uso e público infantil

Questionado sobre e-mails entre 2013 e 2022 que apontavam o aumento do tempo de tela como meta corporativa, Zuckerberg disse que a companhia hoje foca em “utilidade” e “valor de longo prazo”, não em minutos gastos. Ele também foi confrontado com documento interno de 2018 que estimava 4 milhões de usuários menores de 13 anos no Instagram em 2015 — cerca de 30% das crianças de 10 a 12 anos nos EUA. O executivo respondeu que a empresa tenta barrar perfis infantis, mas reconheceu a dificuldade diante de falsificação de idade.

Defesa da Meta

A empresa argumenta que pesquisas científicas não comprovam relação direta entre uso de redes sociais e problemas de saúde mental, sustenta ter investido bilhões em segurança infantil e invoca a Seção 230 da Lei de Decência nas Comunicações dos EUA, que isenta plataformas de responsabilidade sobre conteúdo gerado por usuários. Os autores rebatem dizendo que a ação se refere ao design dos produtos, com recursos como “curtidas”, rolagem infinita e notificações que promoveriam dependência.

Um segundo grupo de processos federais, centrado no impacto do suposto vício sobre escolas e professores, tem julgamento previsto para o verão norte-americano. Em paralelo, o estado do Novo México litiga contra a Meta por suposta falha em remover material de abuso sexual infantil.

O julgamento de Los Angeles continua nesta semana, sem data definida para a sentença.

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