O Ibovespa encerrou fevereiro com valorização de 4%, marcando novos recordes e apoiado principalmente pelo ingresso de capital estrangeiro. No mesmo período, o dólar cedeu 2,5%.
Até 25 de fevereiro, investidores internacionais registraram saldo líquido de R$ 41,73 bilhões na B3, valor já superior a todo o fluxo de 2025. Segundo dados da Elos Ayta, 61% do volume negociado no mês teve origem no exterior, a maior participação da série recente.
O movimento também refletiu o alívio tarifário nos Estados Unidos após a Suprema Corte revogar medidas do presidente Donald Trump, decisão que colocou o Brasil entre os principais beneficiados.
As construtoras lideraram os ganhos:
O analista Caio Araújo, da Empiricus, aponta que Direcional e Cury já vinham apresentando forte desempenho operacional e distribuição de dividendos. Em janeiro, Direcional havia ficado abaixo do índice, mas recuperou terreno após ajuste de múltiplos.
No caso da MRV, a redução de posições vendidas ajudou a impulsionar as ações. A empresa negocia a menos de 0,9 vez seu preço sobre valor patrimonial, abaixo dos pares, enquanto trabalha para reverter impactos de alavancagem elevada e da operação nos Estados Unidos.
Araújo destaca três pontos que devem ser monitorados nos próximos meses: revisão das faixas do Minha Casa Minha Vida, manutenção do ritmo de vendas e discussões sobre o possível fim da escala 61, que pode pressionar custos diante da escassez de mão de obra.
Imagem: Renan Dantas via moneytimes.com.br
Vivo apresentou avanço no segmento móvel, com migração do pré-pago para o pós-pago, menor churn e receitas de melhor qualidade, segundo o analista Ruy Hungria, da Empiricus. A operação de fibra cresce perto de 10% ao ano, e a vertical B2B — que inclui cibersegurança e serviços de nuvem — ganha relevância.
Axia, antiga Eletrobras, concluiu migração para o Novo Mercado, elevando padrões de governança e atraindo maior atenção de investidores estrangeiros.
Raízen teve o pior desempenho. Hungria atribui o recuo a resultados fracos, problemas operacionais, fraudes em impostos sobre combustíveis — alvo da Operação Carbono Oculto —, perda de eficiência e aumento do endividamento. A empresa avalia aporte de capital por parte dos controladores.
Embora ainda seja incerto se o ritmo de fevereiro se estenderá, analistas mantêm perspectiva construtiva para o setor de construção civil e acompanham de perto os próximos indicadores macroeconômicos e corporativos.