Frankfurt, – Um estudo divulgado nesta terça-feira (18) pelo Banco Central Europeu (BCE) indica que a popularização das stablecoins tende a deslocar recursos de contas bancárias tradicionais, dificultando a concessão de crédito e a transmissão da política monetária na zona do euro.
O documento, intitulado “Stablecoins and Monetary Policy Transmission”, descreve um “efeito de substituição de depósitos”, no qual famílias e empresas trocam parte de seus saldos bancários por tokens atrelados a moedas fiduciárias, como dólar ou euro. Segundo o BCE, os bancos dependem desses depósitos como fonte estável e barata de financiamento; quando eles encolhem, as instituições tendem a recorrer ao mercado atacadista, onde o custo é mais alto e volátil.
“Nosso levantamento mostra que o interesse crescente por stablecoins está ligado a uma queda mensurável nos depósitos de varejo e a uma redução nos empréstimos a empresas”, afirma o estudo.
Os pesquisadores concluíram que a adoção dos tokens interfere em vários canais pelos quais as decisões de juros alcançam a economia real, tornando a eficácia das medidas menos previsível. Os efeitos são considerados não lineares e variam conforme o tamanho do mercado, o desenho dos ativos e o arcabouço regulatório.
Stablecoins lastreadas em moedas estrangeiras, sobretudo em dólar, representam risco adicional, porque podem enfraquecer ainda mais o vínculo entre a política monetária doméstica e o crédito. De acordo com dados do CoinGecko citados pelo BCE, os tokens lastreados na moeda norte-americana somavam US$ 301 bilhões – 97% do valor total do mercado – no momento da publicação.
Imagem: cointelegraph.com
O BCE recorda que a capitalização das stablecoins mais que dobrou nos últimos três anos, alcançando US$ 312 bilhões, e pode chegar a US$ 2 trilhões até 2028, caso a trajetória atual se mantenha.
O relatório integra a série de trabalhos do banco central dedicada a acompanhar o setor, enquanto a instituição prepara um projeto-piloto do euro digital previsto para 2027, com seleção de fornecedores programada para o primeiro trimestre de 2026.