Brasília – Conversas extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro revelam que o ex-controlador do Banco Master contou à namorada, a influenciadora Martha Graeff, ter se reunido com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em 19 de abril de 2025.
Às 17h22 daquele dia, Vorcaro escreveu que estava “indo encontrar Alexandre Moraes aqui perto de casa”. Graeff reagiu perguntando se o ministro estaria em Campos do Jordão “só para vê-lo”. Dezenas de minutos depois, às 17h40, o empresário respondeu: “Ele tá passando feriado”.
Os diálogos constam em documentos enviados à CPI mista do INSS, que teve acesso aos arquivos após o ministro André Mendonça autorizar, em 20 de fevereiro, o compartilhamento de dados obtidos na quebra de sigilo de Vorcaro. Antes disso, o então relator do inquérito, Dias Toffoli, havia negado o pedido.
Em 29 de abril de 2025, Martha Graeff perguntou “quem era o primeiro cara”. Vorcaro respondeu: “Alexandre Moraes”. Ela comentou que estava envergonhada por ter aparecido de pijama, e o empresário afirmou que o ministro “falou que é bem melhor” o novo imóvel deles.
As mensagens também citam visitas de “Hugo” e “Ciro”, em 20 de março de 2025, “para falarem com Alexandre”. A CPI suspeita que se trate do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do senador Ciro Nogueira (PP-PI), mas os documentos não trazem confirmação.
Imagem: redir.folha.com.br
Outro trecho, de 3 de abril de 2025, menciona a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Graeff disse estar “lendo o negócio” sobre ela, e Vorcaro pediu que a namorada não acompanhasse o assunto. Segundo os autos, o Banco Master fechou contrato de 36 meses com o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, pelo valor de R$ 3,6 milhões mensais. O acordo totalizaria R$ 129 milhões até 2027, valor que deixou de ser pago após a liquidação da instituição pelo Banco Central.
Daniel Vorcaro foi detido pela Polícia Federal em 4 de março de 2026, durante nova fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de irregularidades na gestão do Banco Master.
Procurado por meio da assessoria do STF, Alexandre de Moraes não havia se manifestado até o fechamento desta edição.